31/01/2015

Leituras de Outubro: Outubro, Kamile Girão

Título: Outubro
Autor: Kamile Girão
Edição/reimpressão:  2014
Páginas: 236
Editor:  Independente

 

Sinopse - Outubro - Kamile Girão

"Você sabe o por quê das folhas caírem no Outono?" Shau desconhecia a resposta para aquela pergunta - até conhecer Kaero Morgan. E, naquele Outubro de 2004, ele encontrou, no auditório da escola, aquela que lhe mostraria não apenas a razão pela qual as folhas abandonam suas árvores durante a estação que precede o inverno, mas que, também, ensinaria o rapaz de roupas largadas e desânimo constante a virar um homem. Outubro, 2013. Para Felipe Alves, seria somente mais um dia de árduo trabalho no hospital. Contudo, ao entrar no quarto 706, o jovem enfermeiro percebeu que aquele não seria um mês comum. Após tantos anos, a vida finalmente lhe deu a chance de rectificar os erros do passado e de livrar-se, finalmente, das folhas velhas que persistiam na árvore da sua vida.




O livro: A capa nos ebooks é difícil de descrever e no Kobo é a preto e branco, mas fui procurar uma edição bonita, com as cores outonais e as folhas que são tão simbólicas no livro.

Temas: amor, depressão, desilusões, escolhas que condicionam o futuro

Género/público: jovem adulto, drama, romance

Personagens favoritas: Kaero pela determinação e coragem de escolher o caminho que traçou sozinha.

Escrita: envolvente, intensa, natural.

História: O livro? Estava entre alguns para ler no e-reader. Andou lá uns tempos e como raramente levo um livro-livro para o trabalho, numa das pausas escolhi este para começar a ler. Gostei muito desta história, aborda temáticas controversas e algumas, ainda consideradas como tabu. Certamente não muito abordadas em romances: uma heroína doente com uma doença como o HIV e o aborto. A partir do momento em que comecei a ler fiquei agarrada às palavras daquela história de amor trágica.

A história roda em torno de Felipe (mais conhecido por Shau) e Kaero, uma promissora jovem pianista que dá aulas na escola local. Kaero e Shau apaixonam-se, vivem um breve romance com consequências trágicas para Kaero. Kaero é uma jovem com objectivos definidos e nada/ninguém se vai interpor nos seus planos de ir viver como o seu pai para Inglaterra e estudar para ser uma pianista famosa. Felipe está perdido, não sabe bem o que fazer com a sua vida, tem apenas uma certeza, a de que gosta muito de Kaero e faria qualquer coisa por ela. Kaero representa a ordem, o sentido que Felipe procurava para a sua vida. Mas nem mesmo o amor deles resiste… e separam-se.

O reencontro? Anos mais tarde num quarto de hospital onde Kaero está internada com pneumonia e portadora do vírus do HIV. E Felipe? Um agora enfermeiro, muito bom por sinal, que encontrou o sentido para a sua vida e o seu antigo amor.

A história alternada entre o passado em 2005 e o presente em 2013, a imaturidade versus a maturidade, a aceitação e a intensidade dos sentimentos de ambos. Felipe e Kaero vão mergulhar no seu baú de memórias e transportar-nos a uma linda história de amor, algo trágica, mas repleta de metáforas e alusões fantásticas. E então, naquele dia de Outubro, Felipe entra no quarto, terá oportunidade de finalmente virar a página e ficar em paz com o passado.

Kaero e Shau são quase metáforas para “bem” e “mal”, organizado e desorganizado, perfeição vs imperfeição. É aquela atracção que gradualmente cresce para um amor profundo que vem desequilibrar a balança. Kaero torna-se menos cuidadosa, Shau torna-se mais consciente de si e dos outros. Kaero é imprudente, Shau tenta assumir as suas responsabilidades e finalmente tudo culmina num acontecimento que vai mudar a vida de ambos para sempre.

Não quero contar a história do livro, como fiquei presa ao enredo, que desfilou perante os meus olhos e eu cada vez mais presa à narrativa. Só posso dizer que é um livro que nos toca, pela simplicidade, pela realidade, pela maneira como passado e presente se entrelaçam e no fim pela linda analogia que é criada com o Outono.

Citações favoritas: " Os bons momentos servem para ser guardados na memória, mas não podemos prendê-los, assim como não podemos forçar uma árvore a aceitar novamente aquela folha que já caiu. "


Período de Leitura: 20 a 8 Outubro

Nota:

Leituras de Outubro: Os sobreviventes, Charlote Rogan


Título: Os Sobreviventes
Autor:  Charlotte Rogan
Edição/reimpressão:  2013
Páginas:  272
Editor:  Editorial Teorema

Sinopse
No verão de 1914, o luxuoso transatlântico Empress Alexandra naufraga durante a viagem entre Londres e Nova Iorque. Os barcos salva-vidas não têm lugares para todos e a sobrevivência de alguns implica a morte de outros. A jovem Grace consegue um lugar num salva-vidas sobrelotado. Com os companheiros a lutarem desesperadamente contra os elementos e entre si, numa volátil disputa de poder, Grace observa e espera. Ao longo de três dramáticas semanas, os passageiros do salvavidas conspiram, confrontam-se e consolam-se uns aos outros num espaço exíguo. A suas crenças sobre humanidade e Deus e o que pensavam saber sobre si próprios será testado ao limite à medida que descobrem do que são capazes para sobreviver.
Críticas de imprensa
«Charlotte Rogan emprega uma narrativa enganadoramente simples para analisar a capacidade do ser humano para se enganar a si próprio.»
J. M. Coetzee

«Um livro grandioso. Prende o leitor e submerge-o em suspense e ambiguidade.»
Hilary Mantel
http://www.wook.pt/ficha/os-sobreviventes/a/id/15008085



O livro: A capa não tem nada de especial mostra-nos um mar agitado com uma pequena embarcação no meio, de certa forma antecipa um pouco o conteúdo do livro.

Temas: ética, sobrevivência, medo, moral e costumes

Género/público: drama, romance

Personagens favoritas: Grace pela coragem e Hardie pela sua determinação

Escrita: Simples e ritmada, alternando entre passado e presente, quebrando um pouco por vezes o ritmo da narrativa.  

História: Este livro foi uma agradável surpresa, não conhecia nem a autora, nem o título. Tentei afastar-me neste mês de autores conhecidos e dos livros do momento, e este livro foi uma das leituras que me permiti fazer e que me surpreendeu.

É uma leitura algo difícil, colocarmo-nos no lugar das personagens principais, sem tormar partido e sem criticar as escolhas feitas. Temos como temáticas: medo, ética, moral e dúvidas, muitas dúvidas, que nos levam a pensar até onde alguém poderia ir para se salvar numa situação daquelas.

O que mais me chocou no livro é a falta de solidariedade e mesmo a crueldade e frieza das decisões tomadas em nome da sobrevivência e até onde vamos para sobreviver. O sacrifício de uns em prol de outros que parece nada significar, e mesmo a insignificância da vida humana perante a imensidão do mar. Os personagens do barco são também simbólicos, cada um deles representa um pouco da sociedade da época, as trabalhadoras italianas, a senhora de alta sociedade, a filha de boas famílias, a rica recém casada, o clero, o idoso, a mãe de família. Todos eles terão um papel diferente no desenrolar da acção, uns evidenciam-se mais que outros e outros nem sequer têm muito enfoque. Ora se a sobrevivência de todos dependia de todos, é estranho o foco cair somente sobre determinadas personagens como sendo Hardie e Grace.

O livro tem uma narrativa alternada entre o naufrágio e o passado de Grace, o seu plano para conquistar o marido, para não ser obrigada a levar uma vida como empregada doméstica ou governanta. Grace relata a permanência no barco salva-vidas durante as três semanas que lá passa, as lutas pelo poder, a decisão sobre quem fica ou quem se sacrifica, a grandeza de espírito de uns e a pobreza e mesquinhez de outros. O mais difícil para mim foi mesmo ao ser confrontada com algumas das situações pensar no que poderia fazer de diferente, mas damos por nós a concordar com algumas das decisões tomadas. Eu não gostei do que fizeram a Mr. Hardie, afinal ele era o único que sabia como poderiam sobreviver, era um homem duro, exigente mas que comandava o barco.

Gostei do livro, mas acho que houve muita história por contar, afinal o que aconteceu a Grace? Qual a história subsequente? Sabemos que o advogado dela desempenhou um papel importante na sua recuperação, mas e dele o que sabemos?

Citações favoritas: "...Meus passos já não vacilavam mais, e mesmo quando tive a certeza de que não havia ninguém à minha espera, foi com segurança que avancei na direcção do futuro e do que ele me reservava."
 
"A vida naquele momento voltava a parecer um jogo para mim, um jogo que eu podia até vencer [...]. Não se pode viver por muito tempo sobre o fio de uma navalha sem cair para um lado ou o outro, como minha experiência a bordo do barco salva-vidas mostrou com tanta clareza."

Período de Leitura: 15 a 20 Outubro

Nota:

27/12/2014

Leituras de Outubro: Jardim de Inverno, Kristin Hannah


 Este foi sem dúvida uma das minhas leituras favoritas deste ano! Uma leitura que todos deveriam fazer.

Título:  Jardim de Inverno
Autor:  Kristin Hannah
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 416
Editora:  Novo Conceito


Sinopse - Jardim de Inverno - Kristin Hannah
Meredith e Nina Whiston são tão diferentes quanto duas irmãs podem ser. Uma ficou em casa para cuidar dos filhos e da família. A outra seguiu seus sonhos e viajou o mundo para tornar-se uma fotojornalista famosa. No entanto, com a doença de seu amado pai, as irmãs encontram-se novamente, agora ao lado de sua fria mãe, Anya, que, mesmo nesta situação, não consegue oferecer qualquer conforto às filhas. A verdade é que Anya tem um motivo muito forte para ser assim distante: uma comovente história de amor que se estende por mais de 65 anos entre a gelada Leningrado da Segunda Guerra e o não menos frio Alasca. Para cumprir uma promessa ao pai em seu leito de morte, as irmãs Whiston deverão se esforçar e fazer com que a mãe lhes conte esta extraordinária história. Meredith e Nina vão, finalmente, conhecer o passado secreto de sua mãe e descobrir uma verdade tão terrível que abalará o alicerce de sua família… E mudará tudo o que elas pensam que são.
“Difícil não rir um tanto e chorar ainda mais com a história de mãe e filhas que se descobrem no último momento.” – Publishers Weekly
A história que sua mãe conta é como nenhuma outra já ouvida por elas antes — uma história de amor cativante e misteriosa que dura mais de sessenta anos e parte da Leningrado congelada e devastada pela guerra até o Alasca, nos dias atuais. A obsessão de Nina por esconder a verdade as levará a uma inesperada jornada ao passado de sua mãe, onde descobrirão um segredo tão chocante, que abala a estrutura da família e muda quem elas acreditam ser.
http://www.skoob.com.br/livro/309875-jardim_de_inverno




 O livro: A capa é lindíssima, mostra-nos um fundo de neve, com 3 mulheres que penso serem as Whiston.

Temas: amor, guerra, solidão, solidariedade, tristeza

Género/público: romance, histórico

Personagens favoritas: Meredith e Nina, pelas suas diferenças e pela sentido de dever.  

Escrita: Cativante e envolvente, que nos agarra à história desde as primeiras páginas, que despoleta em nós sentimentos profundos apesar da escrita simples mas magnífica. As descrições são de uma clareza que quase nos transportam aos lugares descritos.

História: Há muito tempo que não me emocionava assim com um livro, e que não derramava uma lágrimas, com este livro foi assim, é um livro cuja história se entranha em nós, onde vivemos durante a leitura das suas páginas.

Este livro estava entre alguns ebooks que tinha no Ipad. Quando andava na biblioteca do Ipad a ver o que iria ler nas pausas do trabalho, olhei para a capa deste livro e gostei da frase que lá estava: “Nós mulheres, fazemos escolhas pelos outros, não por nós mesmas. E quando somos mães, nós suportamos o que é preciso por nossos filhos”, não sabia muito bem qual seria a temática do livro e ainda pensei em pô-lo de parte uma ou duas vezes mas ainda bem que não o fiz.

O livro mostra-nos simplesmente o que é o amor e a perda, a maneira que cada um lida com a dor de uma perda. Mostra-nos as dificuldades da vida em casal, as relações familiares, as diferenças entre pais e filhos, o que é espírito de aventura para cada um de nós. Após a leitura das primeira páginas confesso que fiquei enredada nesta história, e que me identifiquei com algumas das personagens em certos momentos.

Anya e Evan Whiston casados há muitos anos, vivem uma vida idílica na sua quinta Belye Nochi, onde exploram um pomar. Junto a estes vive a sua filha Meredith e o seu marido Jeff e há ainda a irmã mais nova de Meredith, Nina, a aventureira da família. Parecem uma família perfeita, não fosse Anya não demonstrar qualquer tipo de sentimentos pelas suas duas filhas. E Evan tentar compensar as suas filhas pela falta de sentimentos da sua mãe. Anya torna-se desde o início uma personagem fácil de não gostarmos.

As duas irmãs voltam a juntar-se aquando da doença do pai Ewan, Nina abandona África, as suas fotografias nomeadas para prémios internacionais e uma possível relação. Meredith tenta encontrar uma motivação para melhorar a sua vida, profissional e marital, pois o seu casamento está a passar por uma crise. Mesmo após o regresso das filhas, e vendo a doença do marido, Anya mostra-se quase indiferente, perdida nos seus pensamentos e quase sempre no seu jardim de Inverno.

O que não sabemos é o porque daquela atitude de distanciamento, qual será a sua história? E é este o desafio lançado pelo pai na hora da sua morte, ele faz as filhas prometerem que vão pedir à mãe que lhes conte a sua história. Ewan é um personagem muito generoso, e que colocou sempre Anya acima de tudo, ela foi o amor da vida dele e mesmo à beira da sua partida é nela que ele pensa:

“Sua mãe era uma leoa. Uma guerreira. Uma mulher que havia escolhido uma vida infernal para si mesma porque queria desistir e não sabia como.”

Meredith, Nina e Anya são três mulheres muito diferentes. Meredith é viciada no seu trabalho, e usa-o como desculpa para não ter de enfrentar os problemas do seu casamento, critica a irmã pelo estilo de vida que leva e  tenta controlar a vida de todos à sua volta. Nina tem dificuldade em se comprometer ou estabilizar, não se compromete com o namorado Danny, não consegue ficar muito tempo num lugar, sendo que o seu refúgio são as fotos que tira. Anya parece uma mulher sem sentimentos, que se refugia no seu próprio mundo perdia nos seus pensamentos. Em comum? O pai que faleceu entretanto. E é através do conto de fadas russo que estas mulheres criam laços de verdadeiro amor e amizade porque descobrem o difícil percurso da sua mãe. 

Anya vai contar a sua história às filhas mas nos seus próprios termos, através de uma fábula por ela inventada conta a história verdadeira. Uma narrativa dentro da narrativa, que nos leva a conhecer a sua vida antes da sua ida para a América. É Nina quem traça um plano para saber mais detalhes: todas as noites antes do jantar, começam com um aperitivo, uma vodka (ou várias), não fosse a mãe russa. A persistência de Nina leva a sua mãe a relatar a sua história, e mesmo Meredith que se encontra a preparar a ida da mãe para um lar, se entrega à história. Ao início não faz muito sentido, sendo que se trata de uma fábula com um príncipe, uma camponesa, a pobreza, o pai da jovem camponesa a ser preso por forças do mal, mas depois apercebemo-nos de que Anya fala da repressão vivida na Rússia, dos momentos antes da guerra e de todos os acontecimentos fatídicos que vão acontecer depois: pobreza, fome, doença e morte. O conto de fadas passa-se na realidade em Leningrado durante a invasão alemã à União Soviética, durante o governo de Stalin. É uma história dentro de uma história Anya viveu e sobreviveu a isto tudo, mas pagou um preço alto por isto e pela protecção que construiu ao seu redor: o amor das suas filhas!

É muito interessante como a fantasia dá lugar à triste realidade: da guerra, da vida de Anya na Rússia. E esta parte tem relatos chocantes, de fazer as lágrimas correrem pelo rosto abaixo. A maneira como a autora construiu a história deixa-nos ansiosos para que a narrativa avance e chegue à parte de conto. No entanto, para aguçar a nossa curiosidade a autora não partilha a história toda seguida, esta é intercalada com momentos da vida real, pelos conflitos com as filhas, pelos problemas pessoais que cada uma destas mulheres enfrenta. 

Há uma lição que podemos retirar deste livro, e é algo que já ouvimos várias vezes ao longo da nossa vida: não julgar um livro pela capa. Neste caso aplica-se também às pessoas Anya de aparência fria e distante afinal tinha uma razão para o ser, e uma história a ser contada. Uma história bonita, emocionante e incapaz de deixar alguém indiferente, que nos faz reflectir sobre a nossa própria vida, no que alcançamos e no que perdemos. Por mais incrivel que pareça gostei do livro pelos momentos de alegria que presenciamos, pelos laços de amor e amizade e pelo renascimento da família Whitson.

Foi o meu primeiro livro da autora, certamente vou ler outros, mas acho que preciso de tempo entre as leituras, já que acho que a história tem uma carga emocional muito elevada e precisamos de um tempo para “respirar” após esta leitura. Este livro acaba por nos dar uma lição de vida:
  
“E talvez assim as coisas devessem ser, a forma como a vida se desdobra quando você viveu o suficiente. Alegria e tristeza eram parte do pacote; o truque, talvez, fosse permitir-se sentir tudo, mas agarrar-se à alegria um pouquinho mais, porque nunca se sabe quando um coração forte pode desistir.”

Recomendo a leitura a corações fortes…

Citações favoritas:

“E talvez assim as coisas devessem ser, a forma como a vida se desdobra quando você viveu o suficiente. Alegria e tristeza era parte do pacote; o truque, talvez, fosse permitir-se sentir tudo, mas agarrar-se à alegria um pouquinho mais, porque nunca se sabe quando um coração forte pode desistir.”

“ - Perder o amor é algo terrível - Mamãe disse suavemente -, mas virar as costas para ele é insuportável. Você vai passar o resto da vida repassando isso na sua cabeça? Imaginando se o afastou cedo demais ou com facilidade demais? Ou se vai algum dia amar alguém novamente com tanta profundidade? ”

“Podemos começar de novo?
Não, de jeito nenhum. Eu não quero começar de novo. Eu gosto do meio do caminho.”

"— Você ficaria surpresa com o que o coração humano pode suportar.
Meredith nunca tinha visto a mãe falar em um tom assim tão desesperado. Na verdade, nunca tinha visto ninguém falar assim, mas compreendia: era o som que você faz quando o chão some sob seus pés e você cai."

Período de Leitura: 16-10-2014 

Nota:









Editora:







Leituras de Outubro: A livraria, Penelope Fitzgerald


Aqui deixo mais uma opinião das minhas leituras de Outubro, ainda me faltam tantas opiniões! E tão pouco tempo!

Título:  A Livraria
Autor: Penelope Fitzgerald
Edição/reimpressão: 2011
Páginas:  180
Editora: Clube do Autor

Sinopse
Inglaterra, 1959.
Florence Green vive na pequena vila costeira de Hardborough, longe de tudo, e que se caracteriza precisamente por aquilo que não tem. Florence decide então, contra tudo e todos, abrir a primeira e única livraria da terra.
Florence compra um edifício abandonada há anos, gasto pela humidade e com o seu próprio fantasma. Como se não bastasse o mau estado da casa, ela terá de enfrentar as pessoas da vila que, de um modo cortês, mas inabalável, lhe demonstram a sua insatisfação com a existência da primeira livraria local. Só a sua ajudante, uma menina de dez anos, não deseja sabotar o seu negócio.
Quando alguém sugere que coloque à venda a primeira edição de Lolita de Nabokov, a vila sofre um «terramoto» subtil, mas devastador. E finalmente, Florence começa a suspeitar da verdade: uma terra sem uma livraria é, muito possivelmente, uma terra que não merece qualquer livraria.
A Livraria é uma obra-prima acerca do mundo dos livros, dos sonhos e das vicissitudes da vida, sob a forma de uma história envolvente e original.

«De todos os romancistas da língua inglesa do século XX, Penelope Fitzgerald é indiscutivelmente a maior… Consistente e convincente.»
Spectactor

«Uma narrativa maravilhosa e penetrante.»
Times Literary Supplement

«Um livro original que se lê com muito prazer.»
Financial Times

«Simultaneamente sábio e triste. Um livro vivamente recomendado.»
Library Journal

Críticas de imprensa
« “A Livraria” é um romance sábio, tocado aqui e ali por alguma melancolia de um tempo passado, e escrito de maneira tão consistente e vívida, que a mais pequena das cenas se enche de impressões como se fosse insuflada de cores. No final da leitura, o leitor anseia por mais romances desta grande romancista inglesa.»
José Riço Direitinho, Público, Ípsilon




O livro: A capa mostra-nos uma janela vermelha com a tabuleta indicando-nos o título. Podemos dizer que é uma capa simbólica afinal uma livraria acaba por ser uma janela para o mundo.

Temas: perseguição de um sonho, incompreensão, resignação

Género/público: romance

Personagens favoritas: Gostei muito da maneira como as personagens foram descritas, a autora permite-nos desde logo com as suas observações manifestar de imediato algum sentimento para com a personagem, por exemplo empatia por Florence ou desagrado por Mrs. Gamart.  

Escrita: Aborrecida, rápida e pouco linear. Aborrecida pelo mesmo tom que mantém, rápida nos momentos em que deveria ser mais descritiva, os personagens, os conflitos as descrições dos locais deviam ser mais detalhados.

História:
Tenho que dizer que gostei e não gostei do livro, fiquei muito decepcionada com o fim, no entanto, dá-nos uma lição de que por vezes por muito que tentemos o melhor é mesmo andar para a frente.
Admito que pensei que este livro seria como ter uma espécie de déjà vu, no entanto ficou longe disso, a protagonista Florence Green deixa muito a desejar comparando-a com a protagonista de Chocolate, de Joanne Harris. Florence não tenta cativar os habitantes da pequena vila com a ideia da sua livraria, aliás logo de início vimos que ela está pronta para a guerra e não para as tréguas.

Florence permitiu que o seu negócio falhasse porque não soube lutar e conquistar a pequena vila, fazendo aliados. Como heroína achei-a um pouco insípida e desligada, faltava-lhe a paixão pela defesa da sua causa. Um bom exemplo desta paixão foi a personagem de Christine, com a defesa do seu sistema de senhas. A pequena assistente acabará por ser o elemento mais interessante do elenco de personagens apresentadas.

A grande adversária de Florence será Mrs. Violet Gamart, uma das pessoas mais importantes da pequena vila e que quer transformar a recente livraria e casa de Florence num Centro de Artes. A casa velha designada por Old House, e com um “fantasma” designado no livro por “rapper” é disputada pelas duas mulheres.
Para melhorar as suas vendas e depois de uns meses sem lucro algum, Florence decide-se a colocar a livro, na altura polémico, Lolita de Nabokov à venda como aconselhado por um habitante da vila, quase eremita, pois quase nunca saia de casa, Mr. Brundish, ele próprio dizia a Florence era que as mentalidades das pessoas não lhes permitiria compreenderem o livro. Os lucros de Florence sobem e quando parece que a livraria vai no bom caminho eis que Mrs. Gamart põe em prática um plano para encerrar a livraria, já que achava que Hardborough necessitava mais de um centro de artes do que propriamente uma livraria… e Florence Green abdica do seu sonho, dos seus livros e daquela vila hostil e onde foi infeliz.

Florence ainda resiste contra aquela ideia, afinal ela só queria levar os livros às pessoas, partilhar um pouco do seu gosto, e luta contra Mrs. Gamart. Todavia a batalha do livro é maior que uma simples luta pelo espaço, por Old House. Penso ser também uma luta mais simbólica, de velhos valores, tacanhos e retrógrados vs a mudança, a inovação e o conhecimento/esclarecimento. Mrs. Gamart com ajuda de Milo e do seu sobrinho que está no Parlamento vai levar a sua avante e levar a sua avante, pondo fim ao sonho de Florence.
Achei o fim da narrativa um pouco abrupta e triste, é raro encontrar um livro com um final que não deixe uma réstia de esperança, de luz no futuro da personagem principal, no entanto é assim que este termina, sombrio e pesaroso. Talvez quem sabe a autora nos dê a conhecer a vida de Florence pós Hardborough.

Citações favoritas:
“Um bom livro é o precioso sangue vital de um espírito mestre, embalsamado e entesourado de propósito para uma vida para lá da vida, e como tal deverá seguramente ser um bem de primeira necessidade”.

Período de Leitura: 09-10-2014

Nota:






Editora:


Leituras de Outubro: A arte de Amar, Elizabeth Edmondson

 As publicações andam atrasadas, muito, este ano nem dos cabazes, nem das receitas, nem das leituras. Muito trabalho, falta de tempo e também de vontade. O cantinho anda desprezado, mas quero ver se hoje ponho umas quantas coisas em dia e esta é uma delas!

Título: A arte de Amar
Autor: Elizabeth Edmonson
Edição/reimpressão: 2009 
Páginas: 400
Editora: Edições Asa

Sinopse:
Polly Smith está a tentar sobreviver enquanto artista quando Oliver, seu amigo e mecenas, a convida a ir para casa do pai no Sul de França. Entusiasmada por poder fugir do frio e da chuva de Londres e do noivo monótono, Polly pede a sua certidão de nascimento para poder requerer um passaporte. Mas é aí que o seu mundo desaba: aquela que sempre pensou ser sua mãe é, na verdade, sua tia; a identidade do pai é desconhecida e até o seu próprio nome não está correcto.

A sua «fuga» para o sol da estimulante da Riviera imprime uma nova vida à sua pintura, mas nem tudo corre bem na mansão onde está hospedada. O pai de Oliver foi forçado a abandonar a Inglaterra no meio de um escândalo e, apesar do sofisticado e cosmopolita grupo de amigos que o rodeia, está prestes a ser apanhado pelo seu passado. E, embora Polly se encontre no centro de uma teia de mentiras, o seu próprio futuro começa a tomar um novo e fascinante rumo...
http://www.wook.pt/ficha/a-arte-de-amar/a/id/1995548


˜ A minha opinião ˜

O livro: A arte de amar, Elizabeth Edmonson

Temas: romance, mistério

Género/público: leitura leve e sem grandes questões morais

Personagens favoritas: Polly pela sua determinação e pela procura da verdade acima de tudo.

Escrita: Uma escrita simples, concisa encaminhando-nos e enredando-nos cada vez mais na história até um momento final surpreendente.

História: Depois de ler o outro livro e já que este estava também na estante decidi ler este também. O livro fala-nos de várias histórias no seio de uma família e que se interligam de alguma forma, de segredos e intrigas e mais uma vez uma aura de mistério em mais uma história a desvendar.

Mais uma vez a autora no apresenta uma história sobre procura, decorre no início do século XX e fala-nos de Polly Smith, que procura saber a verdade sobre as suas origens. Uma história nada normal, uma Polly, que pensava ser Paulina, mas que se vem a descobrir ser Polyhymnia. E afinal a sua história familiar não é tão simples como aparentava: foi abandonada pela sua mãe em casa da sua tia e que não sabe quem é o seu pai. A pacata vida que lhe estava reservada já não lhe parece ser a ideal, e Polly vai tentar acima de tudo encontrar-se e encontrar Polyhymnia.

Polly tenta redescobrir-se, ignorando as convenções, o noivado com o jovem médico Roger e a família que são deixados de lado quando ela decide ir para o sul de França e dedicar-se à sua pintura ao invés de ir trabalhar para uma galeria. Aí Polly conhece novos pintores, novas tendências de pintura surrealismo e cubismo, Dali e Picasso. Nas artes inovam-se tendências e na sociedade novos valores, sempre no entanto, com alguma resistência e preconceito.

Temos também a história de Cynthia, recém divorciada que enfrenta a sociedade de frente mesmo sendo criticada pelo divórcio e com uma filha adolescente.

E paralelamente a estas duas histórias, temos o mistério das falsificações de quadros que Polly descobre e, ela vai ficar em risco de vida.

O livro aborda assim as tomadas de decisão, os sentimentos destas duas mulheres que enfrentam uma sociedade preconceituosa, fortemente marcada ainda pela Primeira Guerra Mundial.

Não foi uma leitura muito interessante, aliás, não comprei mais livros desta autora, por medo de serem aborrecidos.    

Citações favoritas:
«Quando uma pessoa não se conhece a si própria, como pode sequer compreender os outros?»

Período de Leitura: 12-10-2014

Nota: 




Editora:


20/12/2014

Risotto de cogumelos

Adoro cogumelos e quando vi uns portobellos e uns marrons no supermercado não resisti! E cá por casa havia ainda um frasco de cogumelos de conserva com várias variedades que também se juntou a esta festa! As variedades do frasco eram: chinês nameko, cogumelos palha, pleurotos e champignos. Ou seja esta risotto levou 6 variedades de cogumelos!



Ingredientes:

2 chávenas de arroz risoto 
1 cebola
1 dente de alho
Cogumelos cortados a gosto
Vinho branco
Salsa
1 cubo de Knorr de galinha
Azeite
Pimenta
Queijo ralado


Preparação:

Primeiro picar a cebola e levar ao lume a alourar no azeite. Juntar o dente de alho picado, a sala e os cogumelos lavados e escorridos.
  
Adicionar o vinho branco, o caldo de carne, verificar o sal e a pimenta.

Os cogumelos vão dar uma cor acastanhada ao arroz, mas posso assegurar que o sabor é muito bom!

Juntar o arroz e mexer sempre para evitar agarra ao fundo da panela. Acrescentar um pouco de água e rectificar os temperos.



Servir polvilhado com um pouco de queijo ou simples. Uma receita rápida e muito boa! 

Bom apetite!