31/01/2015

Leituras de Outubro: Os sobreviventes, Charlote Rogan


Título: Os Sobreviventes
Autor:  Charlotte Rogan
Edição/reimpressão:  2013
Páginas:  272
Editor:  Editorial Teorema

Sinopse
No verão de 1914, o luxuoso transatlântico Empress Alexandra naufraga durante a viagem entre Londres e Nova Iorque. Os barcos salva-vidas não têm lugares para todos e a sobrevivência de alguns implica a morte de outros. A jovem Grace consegue um lugar num salva-vidas sobrelotado. Com os companheiros a lutarem desesperadamente contra os elementos e entre si, numa volátil disputa de poder, Grace observa e espera. Ao longo de três dramáticas semanas, os passageiros do salvavidas conspiram, confrontam-se e consolam-se uns aos outros num espaço exíguo. A suas crenças sobre humanidade e Deus e o que pensavam saber sobre si próprios será testado ao limite à medida que descobrem do que são capazes para sobreviver.
Críticas de imprensa
«Charlotte Rogan emprega uma narrativa enganadoramente simples para analisar a capacidade do ser humano para se enganar a si próprio.»
J. M. Coetzee

«Um livro grandioso. Prende o leitor e submerge-o em suspense e ambiguidade.»
Hilary Mantel
http://www.wook.pt/ficha/os-sobreviventes/a/id/15008085



O livro: A capa não tem nada de especial mostra-nos um mar agitado com uma pequena embarcação no meio, de certa forma antecipa um pouco o conteúdo do livro.

Temas: ética, sobrevivência, medo, moral e costumes

Género/público: drama, romance

Personagens favoritas: Grace pela coragem e Hardie pela sua determinação

Escrita: Simples e ritmada, alternando entre passado e presente, quebrando um pouco por vezes o ritmo da narrativa.  

História: Este livro foi uma agradável surpresa, não conhecia nem a autora, nem o título. Tentei afastar-me neste mês de autores conhecidos e dos livros do momento, e este livro foi uma das leituras que me permiti fazer e que me surpreendeu.

É uma leitura algo difícil, colocarmo-nos no lugar das personagens principais, sem tormar partido e sem criticar as escolhas feitas. Temos como temáticas: medo, ética, moral e dúvidas, muitas dúvidas, que nos levam a pensar até onde alguém poderia ir para se salvar numa situação daquelas.

O que mais me chocou no livro é a falta de solidariedade e mesmo a crueldade e frieza das decisões tomadas em nome da sobrevivência e até onde vamos para sobreviver. O sacrifício de uns em prol de outros que parece nada significar, e mesmo a insignificância da vida humana perante a imensidão do mar. Os personagens do barco são também simbólicos, cada um deles representa um pouco da sociedade da época, as trabalhadoras italianas, a senhora de alta sociedade, a filha de boas famílias, a rica recém casada, o clero, o idoso, a mãe de família. Todos eles terão um papel diferente no desenrolar da acção, uns evidenciam-se mais que outros e outros nem sequer têm muito enfoque. Ora se a sobrevivência de todos dependia de todos, é estranho o foco cair somente sobre determinadas personagens como sendo Hardie e Grace.

O livro tem uma narrativa alternada entre o naufrágio e o passado de Grace, o seu plano para conquistar o marido, para não ser obrigada a levar uma vida como empregada doméstica ou governanta. Grace relata a permanência no barco salva-vidas durante as três semanas que lá passa, as lutas pelo poder, a decisão sobre quem fica ou quem se sacrifica, a grandeza de espírito de uns e a pobreza e mesquinhez de outros. O mais difícil para mim foi mesmo ao ser confrontada com algumas das situações pensar no que poderia fazer de diferente, mas damos por nós a concordar com algumas das decisões tomadas. Eu não gostei do que fizeram a Mr. Hardie, afinal ele era o único que sabia como poderiam sobreviver, era um homem duro, exigente mas que comandava o barco.

Gostei do livro, mas acho que houve muita história por contar, afinal o que aconteceu a Grace? Qual a história subsequente? Sabemos que o advogado dela desempenhou um papel importante na sua recuperação, mas e dele o que sabemos?

Citações favoritas: "...Meus passos já não vacilavam mais, e mesmo quando tive a certeza de que não havia ninguém à minha espera, foi com segurança que avancei na direcção do futuro e do que ele me reservava."
 
"A vida naquele momento voltava a parecer um jogo para mim, um jogo que eu podia até vencer [...]. Não se pode viver por muito tempo sobre o fio de uma navalha sem cair para um lado ou o outro, como minha experiência a bordo do barco salva-vidas mostrou com tanta clareza."

Período de Leitura: 15 a 20 Outubro

Nota:

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