21/05/2022

Ferozes, Helena Magalhães

Título: Ferozes

Autora: Helena Magalhães 

Edição/Reimpressão 10-2021

 Editor: Suma de Letras 

 Páginas: 272

Período de Leitura: 29 a 31 de Março 



SINOPSE

Numa voz intimista e com humor, a escritora Helena Magalhães analisa o impacto da cultura patriarcal em que as mulheres continuam a viver, enquanto partilha histórias pessoais que nos fazem pensar sobre o crescimento, a descoberta de quem somos e qual é o nosso propósito. Tudo isto enquanto lidamos com as amizades, mudanças de empregos, família, perda, traumas e, claro, o amor.

Esta é uma história sobre os triunfos e as frustrações da vida adulta e os medos e incertezas que nos condicionam. Sobre aprendermos a deixar de ser como os outros nos veem para sermos aquilo que vemos em nós. E sobre os laços entre mulheres e a força transformadora das amizades femininas.

Porque é nessa jornada, com tudo o que carregamos aos ombros, que nos tornamos ferozes.


                                                                       ******


Opinião: Ferozes é um livro de e para mulheres. É um livro que nos fala de como as mulheres são ainda condicionadas por um sistema de valores tradicional e que muitas vezes ficam presas a esses condicionalismo, ao que é esperado delas.

É também um livro que retrata o valor das amizades, as escolhas que têm que ser feitas ao longo da vida, sejam as acertadas ou não. O impacto do amor nessa mesma vida e também o que se retira de todas as experiências que temos, o que fica, o sentimento que permanece seja ele um sentimento bom ou mau, pois isso é o que nos faz crescer enquanto mulheres e sermos “ferozes”. 

Esta Helena, como tantas outras mulheres, é um ser imperfeito, que faz todo um caminho para se aceitar como tal, ouvindo a su própria voz no meio de tanta outras que abafam a sua! Um livro que apesar de bem escrito, com histórias com as quais nos identificamos mas que é por vezes difícil de ler. 

Partilho convosco alguns dos excertos que gostei:

“Tenho medo do meu corpo. Tenho medo de que seja demasiado visível e, um dia, um homem volte a sentir que pode pegar nele e fazer dele o que quiser. Tenho medo de que seja demasiado invisível e que silencie a voz que anseio ter. Como seria para nós, mulheres, se pudéssemos ser ferozes, se pudéssemos usar o nosso corpo como uma coroa sem termos de o moldar tanto para agradar como para nos proteger dos homens? Como seria para nós se não tivéssemos de viver, todos os dias, com a dualidade de querermos ser desejadas, amadas e, ao mesmo tempo, respeitadas e donas da nossa liberdade?

As mulheres vivem todos os dias com medo. ”, Excerto de Ferozes, Helena Magalhães, página 18

“Tinha-o perdido, mais uma vez, para a distância, para os timings da vida, que às vezes são uma merda, para o amor que às vezes não basta, para as pessoas que conhecemos e vamos conhecer e que nos afastam cada vez mais. E sorri porque esta era a fantasia que eu sabia controlar.”, Excerto de Ferozes, Helena Magalhães, página 32

“Claro que hoje sei que tudo isto é normal, estamos em constante mutação. É normal termos medos. É normal termos sonhos que, eventualmente, nunca iremos concretizar porque estão para lá das nossas possibilidades. E isso não faz mal. Ter sonhos faz-nos querer ser melhores, desafia-nos todos os dias.” Excerto de Ferozes, Helena Magalhães, página 44

“Ao longo da vida, as outras pessoas vão sempre opinar sobre as nossas escolhas, salientar as nossas fraquezas e desdenhar das nossas conquistas. E isso aplica-se a quase tudo, desde a vida pessoal à profissional, por termos pés esquerdos para o baile ou por estarmos a tentar com todas as nossas forças entrar num emprego aparentemente impossível. A coisa mais idiota que podemos fazer é permitir que os outros condicionem a nossa vida com as suas opiniões, críticas e julgamentos. A única pessoa com quem competimos é com nós mesmas.” Excerto de Ferozes, Helena Magalhães, página 56

Classificação: 4 estrelas

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09/05/2022

Mulheres que compram flores, Vanessa Montfort

Título: Mulheres que compram flores

Autora: Vanessa Montfort

Edição: 08-2020

Editor: Porto Editora

Páginas: 384

Género: Romance

 Período de Leitura: 14 a 29 de Março

Sinopse

Num bairro pequeno e central da cidade, há cinco mulheres que compram flores. A princípio, nenhuma o faz para si própria: uma compra-as para um amor secreto, outra para o seu escritório, a terceira para as pintar, uma outra para os seus clientes, e a última… para um homem morto.

«A última sou eu e esta é a minha história.»

Após a perda do seu companheiro, Marina percebe que está totalmente perdida: durante demasiado tempo, ocupou um lugar secundário na sua própria existência. Procurando começar do zero, aceita um trabalho temporário numa curiosa florista chamada «O Jardim do Anjo». Lá, encontrará outras mulheres, todas muito diferentes entre si, mas que, como ela, estão numa encruzilhada vital no que diz respeito ao trabalho, aos amores, aos desejos ou à família. Do relacionamento entre elas e Olivia, a excêntrica e sábia dona da florista, despontará uma amizade íntima da qual depende o novo rumo que as suas vidas tomarão.

Viciante, divertido, romântico e honesto, Mulheres que compram flores é um comovente romance sobre amizade e independência feminina, numa viagem épica rumo ao centro dos sonhos da mulher contemporânea.

 

A Minha Opinião:

Este livro vai contar-nos a história de seis mulheres, que nada têm em comum entre si excepto o facto de nunca terem vivido o amor pleno. Os seus encontros, graças à pequena florista no Jardim do Anjo, vão proporcionar momentos de verdadeira descoberta e libertação para aquelas mulheres. Guiadas pela sábia Olívia, acabam por se libertar dos medos com que vivem, que as condicionam, para partirem à descoberta de si mesmas e deixarem de obedecer ao que a sociedade espera delas e do seu papel.

Esta florista situa-se no bairro das Letras, em Madrid, e é onde se centrará quase toda a ação do livro, aqui as seis mulheres, em pleno verão, iniciam o caminho para darem um novo rumo à sua vida. Tudo começa com a chegada de Marina à florista, é a primeira das mulheres a que de certa forma somos apresentados, Marina procura a sua entidade após a perda do seu marido Óscar, que a deixou no mundo sem rumo, uma “co-piloto” que se vê só e incompreendida pela família, que inicia a mudança de rumo,com uma mudança de casa, e numa florista em particular:

“Num bairro pequeno e central da cidade, há cinco mulheres que compram flores. A princípio, nenhuma o faz para si própria: uma compra-as para um amor secreto, outra para o seu escritório, a terceira para as pintar, uma outra para os seus clientes, e a última…para um homem morto.”

Marina dá-nos conta da sua história, mas também as histórias das outras mulheres, mostra-nos como, de uma pequena lagarta envolta na sua crisálida, pode emergir a borboleta que estende as suas asas e aprende a voar pelos céus da vida sozinha. A autora não fala só de Marina, que tenta redefinir-se após a perda do marido. Retrata também a história de cada uma das seguintes mulheres, Gala, Casandra, Victoria, Aurora e Olívia que são as novas amigas de Marina. 

Guiadas pela sabedoria de Olívia, cada uma delas parece inserirem-se numa “categoria” das mulheres na sociedade actual. Aurora a que sofre por um relacionamento que não é equitativo e se vê explorada psicologicamente e financeiramente pelo parceiro. Gala que busca manter a sua beleza intocável não aceitando uma relação estável, o passar do tempo e o efeito que tem na sua aparência. Cassandra, a super mulher que está lá por tudo e todos e Victoria a mulher que está em todo o lado e tem que ser bem sucedida em todas as vertentes da sua vida quer seja pessoal ou profissional. E Olívia que age como a voz da sabedoria, movida pela sua experiência guia estas mulheres e incentiva-as a viverem e a não se deixarem paradas, assim todas elas acabam de sair das situações que as frustravam e que as impediam de viver a vida em pleno!

Marina consegue cumprir a sua promessa ao marido de deixar as suas cinzas em Tanger, navegando até lá, e será nesta viagem que nos conta a sua história e a das outras mulheres do seu grupo, de amor, da amizade, solidariedade e entreajuda que se estabelece entre elas!

É sobretudo uma história que nos fala da realidade das mulheres de hoje, das suas dificuldades, no viver num mundo de aparências, o mostrar sempre o seu lado forte e que para ser bem sucedidas têm que ser triunfar em todos os campos da sua vida, a falha não é aceitável. Mas aqui está, esta é uma história que retrata mulheres imperfeitas, que aceitam que o caminho não é a perfeição ou o aceitar tudo, e viver de acordo com as expectativas criadas para as mulheres, mas pelo contrário é conviver com as imperfeições, aceitá-las e fazer as coisas da melhor maneira que conseguem, vivendo para si e não para as expectativas que criam os outros!

Este foi o meu livro de estreia com a autora, confesso que não foi um livro que me foi fácil de ler, existem muitas personagens, histórias que se entretecem, mas que depois são pouco exploradas e com um final que considero abrupto. Foi uma leitura que considerando o todos gostei bastante, mas fiquei com pena porque achei que Olívia merecia mais atenção (ou mais umas páginas do livro).

Classificação: 4/5

Excertos:

“Mas nessa altura já sabia que a vida era um espetáculo sem ensaios. Uma estreia sem rede de segurança. A tua partida ensinara-mo. E continuei a confirmá-lo depois deste verão que mudou a minha vida.”, página 14

“De que, para se reconstruir, qualquer ser humano precisa de encontrar o seu próprio oásis. Um lugar que contivesse a paz ansiada, onde fosse possível estar rodeado das coisas que nos faziam felizes para nos fecharmos com elas quando precisássemos. Uma toca onde hibernar, mesmo que fosse verão. Uma estufa com o microclima perfeito para crescermos, para nos transformarmos e fortalecermos novamente. O meu oásis teria a forma de uma florista e chamava-se O Jardim do Anjo.”, página 18

“– O que quero dizer é que, na vida, quando sofremos um golpe duro que nos arranca do nosso estado de conforto, tudo é novidade, queiramos ou não, e a pessoa que somos é passível de ser reescrita. Dás-te conta da vantagem que tens? – continuou, abanando-se com um leque branco como o seu vestido de linho, e as duas borboletas de vidro que lhe pendiam das orelhas pareciam segui-la a voar.”!, página 52

“Decididamente, o Peter Pan está a ensinar-me muitas coisas.

Ensinou-me, por exemplo, a não ficar fundeada, encalhada em doca seca toda a vida. Porque um barco que fica muito tempo num porto oxida-se e apodrece.

O Peter Pan ensinou-me ontem à tarde a importância de aproar ao vento. Antes é preciso esperar pelo momento certo em que sopre a favor para desfraldar as velas sem maior esforço e com um puxão experiente. Depois, basta esperar que nos empurre. Mas ai de nós se não aproveitamos o momento. Talvez não tenhamos outro.”, página 111

“Sabes, Marina? Há uma coisa que sempre me assustou. As pessoas que morrem sem nunca terem passado pela fase da crisálida morrem sem se conhecerem. O mínimo que se espera é que cheguemos aos nossos últimos dias e digamos a nós mesmas: «Muito prazer por te ter conhecido.» Não achas?”, página 133

“Na sua cabeça não tinha deixado de ecoar uma frase da Olivia: «O verdadeiro amor é inesperado. Inevitável. Quando até nos aborrece sentir o que sentimos por essa pessoa. E nos assusta. No entanto, se nos deixarmos levar e nos atrevermos a apreciá-lo sem medo, não há nada no mundo que nos faça sentir mais vivos.”, página 135

“Creio que foi pouco depois desse dia que li um artigo de Luis Rojas Marcos em que explicava que a mulher espanhola era a terceira mais longeva do mundo. E o mais divertido e chocante era que, segundo o seu raciocínio, isso se devia a falarmos muito. Se a sua teoria estiver certa e só tivermos em conta o que falámos durante aqueles dias, agora nós as cinco devemos ser praticamente imortais. O psiquiatra argumentava que, ao expressarmo-nos, exteriorizávamos os nossos sentimentos através da palavra. Resumindo e concluindo, segundo ele devíamos a nossa sobrevivência extrema à conversa: uma terapia para ativar as nossas defesas e suportar a adversidade. ”, página 204

“Agora já sei. É preciso aprender a dançar sobre um cemitério. A fazer nascer flores sobre os mortos. A aceitar o fracasso, porque o fracasso não existe. Só existe o fim das coisas. Não nos ensinam a aceitar a caducidade do que é importante. Não nos ensinam que às vezes o único fracasso é a inércia de as fazer continuar.

Porque tudo caduca, como me disse a Olivia, as coisas boas e as coisas más. O amor e o sofrimento. Agarro com força na tua urna e penso que uma vida que termina não é um fracasso. Tudo depende de como a vivemos. E se a minha terminasse esta noite, após esta viagem, já seria um êxito. Uma relação que termina não é um fracasso, depende do que nos deu, de como nos enriqueceu, do que nos deixou depois da sua morte.

Se tiver compensado, foi um êxito.

Não viver ou só pensar que se vive não é.

É preciso amar. E amar bem. Intensamente. Mesmo que acabe.”, página 365

                                                             *************

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06/05/2022

DIA MUNDIAL DA LÍNGUA PORTUGUESA: 5 de Maio

 DIA MUNDIAL DA LÍNGUA PORTUGUESA



Assinalou-se ontem, 5 de maio, o Dia Mundial da Língua Portuguesa, que pretende celebrar a Língua e a sua dimensão crescentemente global. 


Sabiam que*:

• Esta data foi consagrada pela UNESCO em novembro de 2019?

• A língua portuguesa é falada por mais de 260 milhões de pessoas em todo o mundo?

• E a língua oficial de 9 países e a mais falada no hemisfério sul?

• É a quinta língua mais utilizada na internet?

•Há 47 universidades na República Popular da China que ensinam o português como língua estrangeira e cerca de 5.000 alunos que frequentam esses cursos

• O Camões, I.P., foi a primeira instituição do mundo a realizar um exame de e-certificação de Português Língua Estrangeira?

*Dados publicados pelo Instituto Camões a 5 de maio de 2021


A LEITURA SEGUNDO A CIENCIA:

Já dissemos isto antes e não nos cansamos de repetir: para além de tudo o resto, ler faz-nos sentir bem? Hoje, partilhamos mais alguns dos benefícios da leitura explicados pela ciência:

• Ao ler, estimulamos áreas do cérebro responsáveis pela empatia, emoções e memória autobiográfica

• Ocasionalmente, os leitores podem experienciar um grande sentido de empatia para com as personagens, o que contribui para a melhoria das aptidões sociais.

• Os leitores de poesia demonstram níveis elevados de introspeção, facilitando a reflexão sobre o Eu

• A informação retida durante a leitura aumenta a atividade cerebral até cinco dias depois de terminado o livro, por serem desenvolvidas novas conexões em áreas associadas à compreensão

• Há uma correlação direta entre a leitura e o vocabulário de uma pessoa, bem como com a capacidade de interpretação.

• A longo prazo, a leitura é um exercício que, com a exposição à imagética, metáforas, filosofia, ideias abstratas e desafios criativos, aumenta o processamento de informação e a memória.


Fonte: newsletter Bertrand

O leitor do Comboio, Jean-Paul Didierlaurent

 

Autor: Jean-Paul Didierlaurent

Título Original: Le liseur du 6h27 (2014)

Data de lançamento: 09/03/2017

Editora: Clube do Autor

Páginas: 196

Período de Leitura: 26 Fevereiro a 11 de Março

Sinopse: O poder dos livros através da vida das pessoas que eles salvam. Uma obra que é um hino à literatura, às pessoas comuns e à magia do quotidiano.

Jean-Paul Didier Laurent é um contador de histórias nato. Neste romance, conhecemos Guylain Vignolles, um jovem solteiro, que leva uma existência monótona e solitária, contrariada apenas pelas leituras que faz em voz alta, todos os dias, no comboio das 6h27 para Paris.

A rotina sensaborona do protagonista desta história muda radicalmente no dia em que, por mero acaso, do banquinho rebatível da carruagem salta uma pendrive que contém o diário de Julie, empregada de limpeza das casas de banho num centro comercial e uma solitária como ele… Esses textos vão fazê-lo pintar o seu mundo de outras cores e escrever uma nova história para a sua vida. 

Opinião: este é um pequeno livro que pensava eu se leria rapidamente, mas estava a passar uma fase de “preguiça de leitura”. Gostei muito da história, é peculiar, e as descrições feitas pelo autor muito caricatas, principalmente as da “Coisa” e do amigo de Guylain que só respondia em versos alexandrinos. 

Guylain Vignolles, personagem central, é para mim uma personagem extraordinária, alguém que nutre uma tal paixão por livros e literatura trabalha num local onde se destroem livros!! Eu certamente passaria mais tempo a “roubar” livros à “coisa” que a trabalhar! E Guylain é ainda mais extraordinário (ou fora do comum) porque todos os dias rouba, uma página, a que chama pele “ à coisa” e lê a mesma página durante a sua viagem de comboio em voz alta para todos os passageiros da carruagem onde vai!


Guylain  vive a sua vida através dos livros, nos textos que lê e vê-se envolvido numa aventura maravilhosa por causa deles! E é isto que a leitura tem de mágico, junta pessoas que nada têm em comum, apenas amor pela literatura e aos livros, e faz deles amigos, companheiros e algo mais! Espero que a história da pacata vida de Guylain tenha continuação, pois, penso que o autor poderia dar o devido seguimento a parte da história que ficou por contar! Ou pelo menos para sabermos mais sobre os outros personagens tão peculiares que o livro apresenta, Yvon Grimbert, o amigo de Guylain, segurança que apenas usa versos alexandrinos e Giuseppe, o velhote que ficou com uma perna presa na “coisa”, consequentemente teve de ser amputado, e que coleciona os exemplares de “Jardins e Hortas de Outrora” pois foram feitos com pasta de papel retirada da coisa nesse dia fatídico.

Um livro que recomendo a todos os amantes de livros sem dúvida!


Classificação: 5 estrelas

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19/04/2022

Gritos do Passado, Camila Läckberg

 

Título: Gritos do Passado

Autora: Camila Läckberg

Nº de páginas: 362

Data de lançamento: maio 2014

Editora: Leya – Colecção: BIS

Período de Leitura: 15 a 25 de Fevereiro


Sinopse: Numa manhã de um Verão particularmente quente, um rapazinho brinca nas rochas em Fjällbacka – o pequeno porto turístico onde decorreu a acção de "A Princesa de Gelo" – quando se depara com o cadáver de uma mulher.

A polícia confirma rapidamente que se tratou de um crime, mas o caso complica-se com a descoberta, no mesmo sítio de dois esqueletos. O inspector Patrick Hedström é encarregado da investigação naquele período estival em que o incidente poderia fazer fugir os turistas, mas, sem testemunhas, sem elementos determinantes, a polícia não pode fazer mais do que esperar os resultados das análises dos serviços especiais. Entretanto, Erica Falk, nas últimas semanas de gravidez, decide ajudar Patrick pesquisando informações na biblioteca local e novas revelações começam a dar forma ao quadro: os esqueletos são certamente de duas jovens desaparecidas há mais de vinte anos, Mona e Siv. Volta assim à ribalta a família Hult, cujo patriarca, Ephraim, magnetizava as multidões acompanhado dos dois filhos, os pequenos Gabriel e Johannes, dotados de poderes curativos.

Depois dessa época, e de um estranho suicídio, a família dividiu-se em dois ramos que agora se odeiam. Ao mesmo tempo que Patrick reúne as peças do puzzle, sabe-se que Jenny, uma adolescente de férias num parque de campismo, desapareceu. A lista cresce….

 

Opinião:

Comecei a ler esta série através de uma iniciativa promovida pela M. João Covas, no seu blogue/Canal: Livros? Gosto! O objectivo era o de ler um livro por mês, mas sei que já vou atrasada na leitura (e nas opiniões). Este é o segundo volume da série Fjällbacka, que segue a vida em comum da escritora Erica e o polícia Patrik Hendström, e claro com muito mistério e uma trama bem bem intricada como eu gosto!

Neste novo volume, acompanhamos a investigação de Patrik após a descoberta do corpo de uma jovem mulher encontrada numa praia, a acção decorre no quente verão na Suécia e seguimos os veraneantes e a investigação policial em paralelo Erika, visivelmente grávida e imensamente aborrecida, recebe constantes visitas de familiares indesejados que pretendem usufruir da sua bela casa de Verão. Ao mesmo tempo Patrik, sente-se culpado por não poder estar de férias e ter que trabalhar enquanto a sua esposa está aborrecida em casa. Esta Erika supreendeu-me, porque está bem mais contida que no primeiro volume, ao passo que Patrik está a adquirir cada vez mais notoriedade entre os seus pares.

Agora voltemos aos crimes, em 1979 na pequena cidade ocorreram dois crimes, que ocorreram há 24 anos e continuam sem resolução até aos dias de hoje, duas raparigas desapareceram sem deixar rasto evidente. Mas volvidos estes anos aparecem os seus restos mortais e também velhas histórias, que mencionam uma família em particular, a família Hult.

O patriarca, Ephraim, tinha sido um pregador, que dizia que os seus filhos tinham o dom da cura, e que durante muitos anos fizeram parte de um esquema do pai, para ganharem dinheiro, mas este ao herdar uma quinta em Fjällbacka, deixa a sua “vida religiosa” comunicando aos filhos a perda do seu dom. Dos seus dois filhos, Johannes Hult cometeu suicídio, por ver o seu nome envolvido nos crimes de 1979 e o outro filho, Gabriel,  é o patriarca actual da família e os guardião dos seus segredos, ou assim o pensávamos nós... cada filho teve 2 filhos, primos que se “odeiam” entre si e com personalidades completamente diferentes. Temos 4 pessoas distintas, o neto perfeito seguindo os passos na fé como o avó, Jacob, Linda a sua irmã rebelde e revoltada que namora um dos seus primos, Johann e o seu irmão, vândalos que vivem à custa de roubos que fazem pela localidade e ainda moram com a sua mãe que, apesar de ter sido uma das mulheres mais belas da região, se entregou à comiseração e ao desgosto, vivendo no passado. Patrik vai liderar a investigação deste crime horrendo que aconteceu tantos anos depois dos outros dois crimes e tentar encontrar o elo de ligação e a razão para o interregno de 24 anos...

Confesso que neste desconfiei *** ALERTA SPOILER *** do certinho do Jacob, havia ali algo que não batia certo, mas fez-me duvidar, pois as datas davam-no como o criminoso improvável mas o final revela algo muito macabro! E é por isso que gosto dos livros desta autora, temos sempre muitos pontos de vista e a história apresenta-se sempre com várias perspectivas e culmina com um final algo inesperado.

Ainda que a trama deste livro como disse põe mais em destaque Patrik, enquanto Erika está mais dedicada à vida familiar, o nascimento do filho de ambos e os dramas da sua irmã (que me aborrece muito pela imaturidade que revela), a qualidade da história agarra-nos do início ao fim, por isso recomendo a leitura do mesmo!


Classificação: 4 estrelas

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23/03/2022

Esta noite, fala-me de amor, Elin Hilderbrand


Esta noite, Fala-me de amor, Elin Hilderbrand 

Título original: The Matchmaker

Escritora: Elin Hilderbrand

Editora: Asa

Género: Romance

1ª Edição: maio de 2015

Nº páginas: 358

Classificação: 4 estrelas


SINOPSE

A adorável Dabney Kimball Beech é uma lenda viva na ilha de Nantucket. Dabney estudou em Harvard e é uma profissional de sucesso. Mas o seu grande talento é outro: graças a um dom que muitos consideram místico, ela é a casamenteira perfeita. Quando duas pessoas são compatíveis, Dabney vê-as sob uma aura cor de rosa; quando não são, o tom que as envolve é um desolador esverdeado. Ela já juntou mais de quarenta casais. Apenas uma pessoa parece teimosamente imune à sua seta de Cupido: ela própria. 

Por mau carma ou piada cósmica, Dabney perdeu o seu grande amor: Clen Hughes, o belíssimo homem de olhos verdes que lhe partiu o coração e que agora, tantos anos depois, está de volta à ilha. A notícia deixa-a inquieta. A mera perspetiva de um reencontro é suficiente para lhe tirar o sono… e com razão. 

Clen vem virar o seu pequeno mundo do avesso, algo que é simultaneamente maravilhoso e terrível.

Os deliciosos dias e noites que passam juntos não deixam antever a tempestade que se aproxima. No fim, Dabney terá de fazer novamente uso do seu dom… numa corrida contra o tempo.

***

Opinião:  

Eu pensava que este seria um romance fofinho, cheio de amor e com uma história de amor lamechas, aquelas que eu gosto de ler no mês do amor e romance, pois enganei-me. Esta foi sim uma história que mostra que o amor pode durar uma vida e para além da vida e que nem sempre é forte o suficiente para as coisas correrem bem à primeira.

A personagem que mais me cativou foi sem dúvida, Dabney, a casamenteira local da ilha de Nantucket, para quem o amor se resumia a uma nuvem cor de rosa ou o “desamor” numa bruma verde… a sua vida foi vivida com dedicação à sua ilha, â sua família e aos seus amigos, até que o seu grande amor volta, e a sua pacata vivência é perturbada e a sua vida não volta a ser a mesma. Clendenin Hughes, o seu amor de infância, aquele a quem ela sempre soubera estar destinada, volta após um acontecimento que o fez reavaliar a sua existência e encontra em Nantucket e em Dabney o seu porto seguro.

Ambos enfrentam os fantasmas do passado, olham para um futuro a dois e Agnes a filha de ambos regressa à ilha para um verão onde conhece o seu pai biológico e convive com o seu pai adoptivo Box, tentando manter equilibradas as novas relações familiares, para complicar ainda mais este cenário, Agnes rompe o seu noivado, conhece um novo amor, Dabney ainda a fazer de casamenteira reúne dois casais e finalmente vive o grande amor de infância… não sabendo ela a reviravolta que o destino lhes reserva!

O livro é dividido em três partes e acaba por ser contado pelas personagens principais, Box, Clemente, Dabney, Agnes e Nina a melhor amiga de Dabley. Este foi um livro que me cativou pelas descrições de Nantucket, eu confesso que gostava mesmo de saber se a festa do narciso se faz, se as pessoas são tão afetuosas por lá, e é um livro que nos toca pela história bonita e agridoce com a qual a autora nos dá a conhecer. Tenho ainda por ler todos os livros da autora publicados cá por Portugal. 

A autora já publicou, ao todo 28 romances, várias séries e que a serem tão bons como este, deveríamos ler!

Classificação: 4 estrelas

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12/03/2022

Os cem anos de Lenni e Margot, Marianne Cronin

Os cem anos de Lenni e Margot, Marianne Cronin


Editora: Editorial Presença 

Nº de Páginas 336 

Data de Lançamento 7/2021

Período de Leitura: 29 de Janeiro a 6 de Fevereiro




Sinopse

LENNI TEM 17 ANOS E POUCO TEMPO DE VIDA. 

MAS O ENCONTRO COM MARGOT, UM ESPÍRITO REBELDE COM 83, 

ESTÁ PRESTES A MUDAR TUDO NOS SEUS DIAS. 

A vida é curta. Ninguém sabe isso melhor do que Lenni, de 17 anos, internada numa enfermaria para doentes terminais. Em breve, aprenderá que não é apenas o que se faz com a vida que importa - mas também como e com quem a partilhamos. 

Contrariando as ordens do médico, Lenni começa a frequentar aulas de arte. É lá que conhece Margot, uma doente de outra enfermaria, com 83 anos e um espírito rebelde. O laço que se cria entre elas é instantâneo, ao perceberem que, somando as suas idades, viveram cem anos incríveis. 

Para celebrar o seu século em comum, decidem pintar as histórias das suas vidas: de como é envelhecer e ser jovem, dar alegria, receber bondade, perder o amor ou encontrar a pessoa da nossa vida. 

À medida que esta maravilhosa amizade se aprofunda, os dias de Lenni e Margot ganham cada vez mais luz, esperança e… vida. 

Extraordinariamente espirituoso e cheio de ternura, Os Cem Anos de Lenni e Margot é um romance que nos relembra de que é feito, verdadeiramente, o admirável dom da vida. Uma história sobre a nossa capacidade infinita de criar amizade e amor, mesmo nos momentos mais difíceis - em que mais precisamos deles. 


Opinião

Um livro que me apareceu por acaso, com um convite feito por uma amiga livrólica para participar numa leitura conjunta. Foi um excelente livro e não dei as cinco estrelas porque o final me entristeceu.


Este é um livro que nos fala da nossa passagem pela vida. O relato do mesmo, inicia-se com Lenni, uma adolescente que diz “estar num terminal de aeroporto”, para se referir à sua condição de doente terminal. Lenni relata-nos o seu dia a dia no hospital, as suas personagens, o padre, a estagiária, a professora de arte, a enfermeira fixe, a enfermeira não tão fixe, a sua nova amiga Margot e tantos outros que compõem a sua história.

Lenni, no início da sua história, conta-nos como começa por frequentar a igreja e conhece o padre Arthur, de quem ficamos a conhecer a predileção por sandes de ovo e e agrião, sobre a sua empregada que lhe cola os seus postais de férias no frigorífico e ficamos a conhecer mais detalhes sobre a vida de um padre. O objectivo de Lenni com estas visitas, era obter respostas sobre a sua condição, de forma direta pergunta ao padre se ele, como afirma poder responder a todas as perguntas, pode responder-lhe porque está ela a morrer:

“— Mas consegue mesmo responder a uma pergunta? Honestamente? Consegue responder-me a uma pergunta sem me dizer que a vida é um mistério, ou que Deus tem um plano para tudo, ou que as respostas que eu procuro hão de vir a seu tempo?

— Porque é que não me dizes qual é a pergunta, e depois tentamos perceber os dois em conjunto de que forma Deus pode ajudar-nos a descobrir uma resposta?

Recostei-me no banco, e ele rangeu. O som ecoou por toda a capela.

— Porque é que eu estou a morrer?”, Os Cem Anos de Lenni e Margot, Marianne Cronin, página 12.

Lenni quer saber o porquê de estar a morrer e espera que o padre, sendo o representante de Deus lhe possa responder, mas o padre diz que não tem a resposta para todas as perguntas e que ele não lhe pode responder. Lenni tem várias teorias que lhe apresenta, que pode ter feito algo que irritou Deus, que reza ao Deus errado… mas sabiamente o padre demonstra-lhe que as coisas são como são, que existe um propósito na vida e na morte e que nos cabe a nós descobrir porque cá estamos.

“— Sabes, é engraçado. A pergunta que me fazem mais vezes é porquê. Porquê é sempre a pergunta difícil. Sei dizer como, e o quê e quem, mas porquê, essa é a pergunta à qual nem consigo fingir que sei responder. Quando comecei a trabalhar, costumava tentar responder-lhe.

— Mas agora já não tenta?

— Acho que essa resposta está para lá das minhas competências. Só Ele é que pode responder. — Apontou para o altar como se Deus estivesse de cócoras atrás dele, escondido, a ouvir.

Fiz um gesto como que a dizer-lhe «está a ver, eu bem lhe disse».

— Mas isso não significa que não haja resposta — acrescentou rapidamente. — Só que a resposta só pode ser dada por Deus.”! , Os Cem Anos de Lenni e Margot, Marianne Cronin, página 13.

Lenni vai contar-nos outros episódios, falar das personagens do hospital, do seu pequeno  mundo actual, algumas destas personagens não são tratadas pelo nome, mas pelo estatuto/ profissão, como a temporária, ou a enfermeira nova. Conhecemos a história da amargurada e enganada temporária que criou o espaço de artes no hospital, mas que acabou despedida pelo seu chefe e sem glória e louros pelo trabalho que lá teve. Que a enfermeira nova levou sete semanas a conseguir levá-la à sala. As descrições que faz das personagens são muito evocativas, quase como se as conhecesse intimamente e isto somente através da observação diária dos hábitos destas pessoas. A descrição mais interessante para mim é  a que Lenni faz de Pippa, a professora de arte. Estas descrições são fora do vulgar assim como as suas histórias e peripécias que nos arrebatam, por exemplo, a história da visita do padre Arthur, a sua interpretação da parábola do filho pródigo e a sua tentativa de vender a religião como se fosse um produto! Ou ainda  a sua discussão com o padre sobre a vingança ou o perdão! É uma miúda com uma imaginação muito fértil, cheia de entusiasmo, que reflete sobre temas sérios, de uma forma inusitada mas revelando uma perspicácia impressionante, que demonstra através da afirmação que faz quando conhece Margot:

“Não dou muita importância aos números. Não quero saber de divisões nem de percentagens. Não sei a minha altura nem o meu peso, e não sei de cor o número de telefone do meu pai, embora saiba que em tempos já o soube. Prefiro as palavras. As deliciosas e gloriosas palavras.

Mas, à minha frente, estavam dois números importantes, dois números que seriam importantes para o resto dos meus dias contados.

— As nossas idades juntas — disse-lhe em voz baixa — são cem anos.”, Os Cem Anos de Lenni e Margot, página 42, Marianne Cronin

O relacionamento que Lenni começa a construir com Margot é bonito, não existe outra palavra para o definir. Lenni é incapaz de fazer amizades com pessoas da sua idade, mas relaciona-se extremamente bem com Margot e com o padre Arthur. Creio que acontece porque a sua condição, a dotou de uma maturidade que não é visível nas pessoas da sua idade. Pouco e pouco Lenni, no seu pequeno caderno vai escrevendo as histórias dos cem anos de ambas, acontecimentos importantes, um por ano, que marcaram as suas vidas e assim se vai cimentando esta amizade, e o amor que nutrem uma pela outra. Momentos de introspecção, de alegria, cómicos com as reflexões sobre Jesus e a sua vida, os debates com o padre Arthur, tristeza, sentimentos fortes, aceitação mas acima de tudo o desejo de permanecer como uma boa recordação na vida dos outros. Ilustrados também nas telas que vão desenhando na sala de pintura:

“— Lenni — disse ela, em voz baixa —, és a pessoa mais corajosa que conheço.

— Porquê?

— Porque sim — respondeu, e ficámos presas àquele momento.

— Morrer não tem nada de corajoso — contrapus. — É uma coisa que acontece. Não sou corajosa. Simplesmente, ainda não morri.”, Os Cem Anos de Lenni e Margot, página 122, Marianne Cronin

Estes cem anos são contados de uma forma deliciosa, a autora escreve de forma a  aguçar a nossa curiosidade, intercalando a vida presente e passada de ambas, temos vislumbres da vida de Lenni, da vida de Margot e acompanhamos os episódios caricatos do hospital (outro da Temporária, sim ela volta! Para descobrir um pai sueco que falece antes de conhecer, mas que lhe deixa um saco cheio de notas!). Mas estas histórias, como já mencionei, nem sempre relatam momentos felizes, ou os bons momentos que querem recordar, são relatos também de episódios tristes e marcantes da vida de cada uma delas. Posso dizer que fiquei extremamente revoltada com o relato da situação com a enfermeira Jacky, que revela tamanha falta de sensibilidade e tacto para com Lennie!

Mas gosto muito de acompanhar também os vislumbres da vida de Margot, a sua vivência em Londres, o seu primeiro casamento, o nascimento e perda do seu filho Davey, a vida com  o seu encontro com Humphrey, o seu casamento, o reencontro com a sua amiga, a sua lua de mel, as histórias caricatas de Humphrey, a sua paixão por galinhas e estrelas… o regresso da sua amiga Meena e do seu filho Jeremy, a partida de Humphrey, a sua visita ao Vietname… ao mesmo tempo que acompanhamos pedaços da vida de Lenni, o episódioda partida do padre Arthur, para a reforma, fez-me soltar, confesso uma lágrima ou duas… mas quando capítulos depois houve outra despedida, caiam-me lágrimas pela cara baixo, não é uma leitura fácil, porque vemos perecer uma pessoa tão cheia de vida e especial, que consegue levar alegria aos outros mesmo estando a sua própria luz a desvanecer-se:

“Tenho a sensação de que me falta essa Coisa Preciosa. Não sei o que hei de fazer de mim. A única coisa em que consigo pensar é em acabar a minha história, Os Cem Anos de Lenni e Margot! Marianne Cronin, página 311

Este foi um livro agridoce que li sempre com a esperança de que houvesse um rumo diferente do já expectável para Lenni. Mas é acima de tudo um livro que fala de coragem, superação e do valor dos laços de amizade. 

Classificação: 4 estrelas

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