04/10/2014

Leituras de Agosto: O Segredo do meu marido, Liane Moriarty




E aqui fica mais um livro das minhas leituras de Agosto, estou quase a chegar ao meio dos posts das leituras de Agosto, hoje e como estou cheia de vontade... vou ver se me dedico mais à escrita. Esta leitura foi muito boa, cada vez mais estou a gostar dos livros desta autora.

Título: O Segredo do meu Marido
Autor: Liane Moriarty
Editora: Edições Asa
Número de Páginas: 416
Publicado em: 2014


Sinopse:
A carta do marido dizia: "Para ler apenas após a minha morte." Mas ele estava vivo. E escondia um segredo aterrador.

Cecília encontrou a carta acidentalmente. Na penumbra do sótão, soube de imediato que não devia lê-la. Que devia devolvê-la ao seu esconderijo, fingir nunca a ter encontrado e respeitar a vontade do marido. Afinal amava John-Paul. Juntos, tinham três filhos e uma vida sem sobressaltos. Argumentos que de pouco serviram perante a sua curiosidade crescente. E quando começou a ler, o tempo parou. A confissão de John-Paul fulminou-a como um raio, dividindo a sua vida em dois: o antes e o depois da carta. Cecilia vai ficar agora perante uma escolha impossível.

Se o segredo do seu marido for revelado, tudo o que construíram será destruído. Mas o silêncio terá um efeito igualmente devastador. Porque há segredos com os quais não se pode viver…
http://www.wook.pt/ficha/o-segredo-do-meu-marido/a/id/15677376

Opinião:

Quando li o resumo do livro fiquei com muita vontade de o ler, mas disse que ia esperar um tempo até o comprar (ver se apareciam saldos ou no OLX), lá acabei por o encontrar e comecei a lê-lo nas pausas. O problema foi que as pausas eram muito curtas e a vontade de ler o livro muita!

Este é um livro sobre amor, culpa, ética e o choque da realidade. As nossa emoções vão estar ao rubro e o livro por vezes parece-nos uma volta numa montanha russa! O livro expõe as personagens de tal forma que nos sentimos mesmo divididos, por um lado compartilhamos a dor de uma e por outro percebemos o medo da outra. 

É muito fácil entrar na narrativa, e logo de início Cecília depara-se com “a caixa de Pandora”, uma carta do seu marido que deve ser aberta caso ele morra. E aqui começa a intriga, uma história que nos vai fazer questionar a nossa moralidade, o quanto conhecemos o outro, até onde vamos por amor e será o amor mais forte ou sentimento de dever e justiça? Será Cecília forte ou movida pelo egoísmo de manter o marido e não tomar a decisão certa? 

O livro fala-nos alternadamente de três mulheres: Cecília, Tess e Rachel. Uma mulher feliz, uma mulher a enfrentar uma crise no casamento e uma mulher incompleta, despedaçada pela dor da perda de uma filha e pela partida de outro. Todas diferentes mas todas a braços com uma crise iminente. 

Cecília, uma mulher casada, trabalhadora e que é extremamente organizada. Tem uma vida excelente, casada, ama o marido e as suas três filhas. Feliz até ao dia que encontra uma carta que mudará a sua vida para sempre. Rachel é a vizinha de Cecília, uma viúva, que vê o se único filho partir para NY e levar consigo o seu netinho adorado. Rachel que está com dificuldades em ultrapassar a morte de sua filha assassinada muitos anos antes. E Tess, que volta à cidade onde cresceu para se recuperar da traição do seu marico com a sua prima; encontra um ex-namorado e tenta, desta forma, reconstruir a pouco e pouco o seu mundo abalado pela traição das pessoas que mais amava.

Como se vão interligar estas três vidas? Na escola da pequena cidade todos se encontram. Cecília pensa na sua vida antes da carta e depois da carta. Deverá ela contar o segredo do seu marido a Rachel? Rachel que ainda não encontrou o assassino desconfia do ex-namorado de Tess. Será que é ele é mesmo o culpado? Rachel acredita que sim e volta a contactar com a polícia. E Cecília sabe que é o culpado, mas presa por laços de amor, amizade trava uma luta interna entre o que é certo e o que é melhor para a sua família. 

Um livro cheio de lições de vida, Cecília sabe que não pode mudar o passado, mas começa a encarar o futuro de maneira diferente. O seu marido certamente todos os dias coloca a questão, e se tivesse sido diferente? E Cecília depois de saber certamente se pergunta, e se o marido não tivesse cometido tal atrocidade? E se Rachel não fosse a mãe da rapariga que morreu? A vida perfeita, passa a ser uma vida de angústia, de medo, de não conhecer a pessoa que tinha a seu lado. Até onde irá ela para ajudar o marido?

A história de Tess é um complemento ao livro, poderia bem ser uma outra história à parte, de amor, traição e fingimento. O seu marido e a sua melhor amiga, a prima com quem cresceu apaixonam-se, ou pensam ter-se apaixonado e Tess regressa a um amor antigo que a faz voltar a acreditar em si própria como mulher.

Rachel exemplifica perfeitamente a nossa sociedade de hoje em dia, como as pessoas mais velhas são postas de lado por familiares, como se isolam e acabam por viver um pouco solitárias e na sua própria concha.

Achei um livro surpreendente do qual gostei muito, a história é muito envolvente e depressa somos apanhados no seio das questões morais e mesmo a ter de decidir como Cecília, o que faríamos… mostra-nos como a verdade por vezes não é libertadora mas, pelo contrário, no prende e leva a decisões ainda mais difíceis. Raramente um livro me toca desta maneira, e me deixa a pensar nele por uns tempos, como este deixou.

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