27/06/2021

Leituras 2021: A linguagem secreta das flores, Vanessa Diffenbaugh

 

Este foi um livro surpreendente, uma recomendação feita num grupo de livros. Um livro com uma capa magnífica e com uma história surpreendente. Não, engane-se quem vem à procura de um romance cheio de cor e alegria, pois não o é. Esta é uma história de superação, de amizade e de coragem, porque aprender a amar nem sempre se faz através de um caminho solarengo e cheio de luz e é necessária muita coragem para enfrentar o passado.

A história é a de Victoria Jones, desde cedo incompreendida e com uma personalidade difícil que afasta as pessoas. Passou por diversas famílias de acolhimento e nunca se integrou, até chegar à casa de Elizabeth que a acolheu e lhe ensinou tudo sobre as flores e os seus significados. Pensamos que Victoria e Elizabeth vão criar uma pequena família, mas um acidente deita tudo a perder e novamente Victoria perde a sua casa. 

A história alterna passado e presente, vai contando os detalhes de como Victoria sobreviveu a mais de 30 casas de acolhimento, e como tudo muda quando completa os 18 anos. Obrigada a deixar o abrigo onde vive, é nas flores que encontra a salvação, ao conseguir um pequeno trabalho a ajudar uma florista.  A sua paixão por flores permanece, será a sua salvação, a maneira pela qual se vai libertar do passado e iniciar o caminho de regresso àquela que foi sempre a sua casa, Elizabeth e a sua quinta.

Ao se cruzar com um rapaz no mercado de flores, Victoria fica “mais perto” de casa, esse rapaz é o sobrinho de Elizabeth, Grant, uma das pessoas que Victoria magoa no seu caminho, mas a quem ficará irremediavelmente ligada e quem a pouco e pouco a consegue ajudar a empreender o caminho de regresso a casa e finalmente permitir-se ser feliz. Não vou contar mais porque o enredo é tão rico, tão bom e tão envolvente que só lendo é que perceberão a história! E se há algo que podemos retirar da história é que todos podemos mudar, somos definidos pela experiências que temos, mas somos nós que definimos quem somos e como somos.

É sem dúvida um livro envolvente, uma escrita muito cativante, com descrições ricas e cheias de cor e outras não tão alegres mas cheias de simbolismo. Este livro reflete verdadeiramente uma paixão e como essa mesma pode ser a âncora que salva um navio de ser arrastado pela corrente. Victoria, à deriva na sua vida, compreende com a ajuda de Renata e a sua fanília, que não é a única que sofre, que cada pessoa passa por eventos que as marcam, as magoam e que será o amor, a família e a confiança que acabam por ajudar a ultrapassar as situações mais difíceis. E que a ajuda por vezes aparece nos lugares onde menos se espera, será Renata a dona da florista que acabará por lhe demonstrar que também ela foi magoada, abandonada que cabe a Victoria lidar com os problemas e não fugir mais.

É um livro que nos toca, pelos temas do abandono, da depressão, das duras batalhas interiores que cada um trava com a solidão. Mas, que as flores, são os pequenos focos de luz que podem ajudar a sair desses estado,  que estas podem dizer aquilo que por vezes a boca não diz, mas o coração sente, e são o farol que ajuda o barco a chegar a bom porto, junto da família que aguarda pacientemente!





26/06/2021

Leituras 2021: Um longo caminho para casa, Alan Hlad


Ao ter espreitado umas páginas deste livro, não resisti e comprei-o, isto porque fiquei logo com a ideia de que seria diferente, um “olhar fresco” sobre um conflito tantas vezes descrito, romanceado e trabalhado sobre diferentes ângulos.

Este é, ainda que sob a forma de romance, um livro que relata a importância que foi dada aos pombos, na transmissão de informação entre a França ocupada e a Inglaterra, num esforço de libertar a Europa do jugo nazi.

E foi uma história deveras cativante, pelas descrições detalhadas, pelos acontecimentos narrados e pelo contar da história sobre diferentes perspectivas. O americano Ollie, que após a morte de seus pais, decide juntar-se ao exército britânico e pilotar aviões no esquadrão da Royal Air Force. Susan a neta de um importante local tratador de pombos chamado Bertie. Será Susan e a sua adorada Duquesa, que com o seu conhecimento determinará o rumo de uma importante operação, que foi determinante em lograr os planos nazis de ataque à Inglaterra. 

O romance acaba por ser um compêndio de informação sobre o Serviço Nacional de Pombos que participou na chamada Operação Columba, em que milhares de pombos transportaram mensagens chave através do canal da Mancha, estabelecendo a comunicação entre militares ingleses escondidos em França e rebeldes franceses com os ingleses. Acaba, assim, por ser Duquesa parte essencial e determinante na história, mas por ser também, o elo de ligação entre os dois apaixonados. 

O que mais me agradou no livro: Susan, como ela lutava e enfrentava as situações que não lhe agradavam. Uma mulher destemida, idealista e apaixonada pelos seus pombos, vimos isto várias vezes ao longo do livro, recordo particularmente a sua indignação ao saber como estes eram transportados nos aviões e largados em França, e como manifestou o seu desagrado!

O outro lados da história, contada por Ollie, é também muito interessante, Ollie é generoso, altruísta e apaixonado por aviões, por diversas vezes temos descrições exactas dos aparelhos, das suas características, das suas limitações. É modesto mas com uma paixão por voar que poucos suplantavam. E no entanto no livro Ollie nunca pilotou, não foi o aviador herói, foi um espião por acidente e também ele teve um papel fundamental no desenrolar dos acontecimentos! 

Diferentes perspectivas de um conflito, através dos olhos vividos de Bertie, da apaixonada Susan, do destemido Ollie, da resistência francesa e do seu convívio diário com o inimigo! E da Duquesa a mensageira perdida de uma história de amor, que anos mais tarde, reúne os apaixonados que se julgavam mortos (perdoem o spoiler!).

Não sei porque mas foi um livro que me tocou muito, de certa forma relembrou-me o relacionamento que tive com o meu avô, que tinha poucas palavras, mas gostava de nos ensinar coisas sobre abelhas, sobre carpintaria, como tratar das vinhas… assim era Bertie passando a sua sabedoria a Susan e ajudando-a a manter a esperança em dias melhores.

Em suma um livro que me surpreendeu, com uma escrita excelente e que me cativou, desde a capa até ao último ponto final!






20/06/2021

Leituras 2021: Segredo Mortal, Bruno M. Franco


 O meu primeiro livro do autor, um livro fora do género que aprecio e a vontade de apoiar os nossos autores, uma boa combinação. No início confesso ter ficado um pouco confusa, pois não conseguia, associar o evento que devastou Lisboa, com a história, claramente esta foi uma excelente estratégia para nos aguçar a curiosidade. E mais para o final compreendemos onde ambas as histórias de entrelaçam, onde passador presente se reúnem num final que faz todo o sentido!

Gostei da história contada a três vozes, Carlos vítima de um esquema complicado, o inspector Leonardo e o criminoso Lúcio! Descreve ainda a dinâmica entre o inspector Leonardo e a inspectora, e a sua parceira, Marta Mateus. Desde o início que pressentia que havia ali uma faísca, e o desenrolar da história só veio confirmar as minhas suspeitas. E confesso que a personagem da Marta Mateus me agradou muito, espero que nos próximos livros, sim porque certamente haverão mais, a mesma tenha mais destaque!

Os inspectores têm uma boa sinergia e esta vai ser necessária para a resolução do crime macabro, que ocorre na praia da Fonte da Telha. Acho que esta parte do relato foi arrepiante, a história pinta um criminoso doentio, com um tal requinte de malvadez que nem sei que diga, pensei, mas há disto em Portugal? Esta é uma realidade nossa? 

Mas a polícia persegue, inicialmente, o criminoso errado, e será Carlos, um jovem despreocupado num dia, que se torna perseguido e um fugitivo no outro. Está foi a personagem que mais dificuldade tive em ler, ao início não percebi porque fugiu ele da polícia? Porque não contou a sua versão da história e ajudou à investigação? Mas isso tanto teria criado o impacto e permitido a história secundária, dos verdadeiros pais de Carlos! 

É uma narrativa, que nos prende, cativa e torna-se difícil pôr o livro de lado. Está bem construída, com uma linguagem simples mas envolvente,  somos transportados para uma história, dentro de outra história, um puzzle de pequenos pedaços que no final se completa e nos deixa completamente surpreendidos! Espero ler mais deste autor e que a despedida da dupla de inspectores tenha sido um até breve!


13/06/2021

Leituras 2021: A Guardiã dos Sonhos, Rani Manicka


Sinopse:

“Os sons, os cheiros e os sabores da Malásia do século XX – um mundo sensual e exótico, povoado de mitos e magia, de deuses e fantasmas – unem-se numa sábia combinação de tradição e realismo mágico para contar uma história de riso, perda, amor e traição, que é, no fundo, o relato da vida atribulada de quatro gerações de mulheres.

Lakshmi é uma jovem de apenas catorze anos quando é obrigada a deixar o Ceilão, onde nasceu e viveu até então, para se casar com um homem bastante mais velho. Cinco anos depois, Lakshmi tem já cinco filhos e, não obstante a sua idade, apercebe-se de que terá de ser ela própria a construir o seu futuro. Implacável na sua determinação, tornar-se-á na admirável matriarca da família. Os seus filhos e filhas, com as suas distintas personalidades e percepções da história, vão configurando a saga familiar, que alterna momentos de alegria e dor, como os vividos aquando da cruel invasão japonesa, que deixará indeléveis cicatrizes em todos eles. Nisha, a neta, será quem finalmente irá reconstruir o mosaico da história familiar e o legado de Lakshmi, a Guardiã dos Sonhos, para nos oferecer uma complexa e sensual trama de sentimentos e vivências que atravessa a vida de quatro gerações.”

Opinião: O bom dos grupos de livros, é que nos chegam livros que nunca antes teríamos conhecido, ou sequer pensaríamos ler. Mas assim que alguem sugeriu e eu li a sinopse acima, fiquei muito curiosa e claro só queria ler o livro! Este entusiasmo não se desvaneceu enquanto esperava que chegasse e através de uma leitura conjunta, que acabei por não seguir pois a história começou muito bem, li a história de vida de Lakshmi. No início? Achei cruel, fiquei chocada, mas não consegui deixar de ler. Esta história é como um murro no estômago, deixa-nos várias vezes sem ar!

O que nos conta afinal o livro? Histórias, de mulheres, de vida, de relacionamentos, sobre comunicação, confiança, lealdade… a história de quatro gerações de mulheres e o seu percurso de vida, desde o Ceilão até à Malásia. A escritora é minuciosa nas descrições e socorre-se de uma linguagem rica e detalhada nas suas descrições, e quando damos conta, estamos presos à história de Lakshmi e da sua família. 

Podemos dizer que a história tem um antes e depois, a felicidade e a realidade. Antes da invasão japonesa e após a partida destes. Mas para perceber há que voltar um pouco atrás, Lakshmi com 14 anos é casada com um homem muito mais velho, que se pensava ser rico, aqui começa a verdadeira trama, não só não é rico, como a afasta da família ao levá-la para a Malásia. Pensamos que vilão, que história triste e nefasta! Mas Lakshmi rapidamente se habitua a este marido, à vida de casada, a ser mãe e a matriarca de quem a família depende!

É Lakshmi quem dará ritmo à história, o seu carácter decidido, o seu engenho, salvaram muitas vezes a família da fome, e do saque durante a estadia do japoneses, mas por muito engenho que tivesse, não conseguiu proteger um elemento da sua família é isso foi ponto determinante na história da sua família, causando uma ruptura na mesma.

Será a sua neta Nisha a reunir a história da família, através de pequenos relatos deixados em cassetes pela sua mãe, que através desta manta de histórias constitui o relato desta saga familiar, dos seus dramas, histórias, vicissitudes e triunfos.

Creio que é sobretudo uma história de tradições, do poder no feminino, da vida familiar, das tradições e de legados (as jóias, os saris de Laskhmi), contada de uma forma tão cativante que era impossível não gostar deste livro!



10/06/2021

Leituras 2021: O pesadelo de Alice, Sophie Hannah


Uma leitura conjunta de um livro que não me convenceu. Uma história que coloca uma mãe, algo psicótica, no centro da ação mas desde logo uma personagem algo contraditória, com uma história mal contada e que não foi capaz de me cativar.

A história anda à volta de uma mãe que jura a pés juntos que a sua filha foi trocada, com tudo isto apresenta queixa na polícia, contra opinião do marido e da sogra. Deixem-me dizer que a personagem da sogra diz logo tudo ao início… o marido esse foi a maior surpresa, uma personagem execrável, com uma personalidade fraca e cruel!

A história tinha tudo para ser boa, mas existem muitas incongruências na mesma. Por exemplo, Alice aceita os maus tratos do marido por estar fragilizada, mas é capaz de tecer um plano tão elaborado? O objectivo, que abrissem uma investigação, de forma a investigar a morte da primeira esposa do marido. Porque não foi ela honesta com a polícia se se encontrou várias vezes sozinha com o detetive? E porque se deixou ficar na casa com o morando e a sogra tendo medo de ambos?

A escrita reflete a história, um pouco confusa. Não foi um livro mau, mas também não foi bom, havendo tantos livros bons por aí dentro do género, creio que este não será uma recomendação que faça, pois não foi nada por aí além.


06/06/2021

Leituras 2021: O tempo entre costuras, María Dueñas


Este livro esteve  na minha estante algum tempo, saiu de lá por conta de um desafios de leitura conjunta do grupo Clube de Leitura Manta de Histórias. E foi uma surpresa tão, mas tão boa! A escritora tem mesmo o dom da palavra e as descrições são fantásticas! Por vezes penso que tenho cá tantos livros em casa que devem ser tão bons e ainda não lhes peguei!

O que senti com esta leitura? Que era difícil cumprir as metas diárias, porque queremos sempre ler mais um bocado. Um bom livro é difícil de deixar, e a história de Sira é (foi) boa demais!

A história narra os acontecimentos passados em Espanha e Marrocos durante a guerra civil e a segunda guerra mundial. Acompanhamos a jovem Sira Quiroga, que trabalha com a sua mãe num atelier de alta costura em Madrid, conhece um jovem, decidem casar, até que a ambição do noivo leva Sira a uma loja de máquinas de escrever. Será esse momento que vai mudar o destino de Sira, aí se perde de amores por Ramiro e vai virar a sua vida do avesso por ele!

Mas Sira sofrerá devido a este amor louco, e em Marrocos passa de mulher enganada, iludida a uma mulher que se dota de recursos, se reinventa após os acontecimentos dramáticos que vive e com uma ajuda improvável de um inspector da polícia local e uma “comerciante” algo invulgar! Sira vai triunfar e reerguendo-se como uma fénix das cinzas, cria uma persona chamada Arish, abrindo uma casa de alta costura para as damas da sociedade marroquina. Com ajuda de alguns mas poucos bons amigos, luta para melhorar a sua condição, para trazer a sua mãe da Espanha em guerra, envolve-se em espionagem, conhecendo aquele que será o seu grande amor e fazendo pelo seu país o que poucos conseguem fazer e de maneira invulgar!

Entre Tetuán, Madrid, Lisboa, Sira fazendo da costura, a sua arma de luta, vai ajudar os ingleses a espionar a alta sociedade alemã, através das esposas dos militares e dignitários alemães tanto em Tetuán como em Madrid. E será em Lisboa numa missão altamente perigosa que Sira, reencontra o seu amor, também ele um espião ao serviço de sua Majestade!

O livro é extremamente rico, nos detalhes históricos, arquitectónicos e no retrato da sociedade da época. Numa escrita minuciosa, sempre apontando todo e qualquer detalhe que saberemos ser essencial à construção da narrativa. 

Fiz esta leitura através de um desafio da Manta de Histórias e ainda bem que a decidi fazer, pela história, pelo contexto, acima de tudo pela mulher forte que Sira se tornou e o exemplo que se tornou!


05/06/2021

Leituras 2021: Deve ser Primavera algures, Pedro Rodrigues



 
Este foi uma estreia para mim com o autor. Pensando eu que seria um livro de leitura leve e despreocupada comecei a sua leitura com a postura leve e pensando que seria um romance bonito com um final feliz. Pois não foi, é uma história triste, que fala de abandono, de desilusão e dos enganos e desenganos que a vida proporciona.

Senti pena da mãe, de coração embrutecido pelo abandono do marido, pela luta que trava numa tentativa de criar os filhos, mas fraca de espírito, presa a à religião e ao temor a Deus, mas pouco consequente no quanto as suas ações afectariam os seus filhos, condenando-a à solidão.

Acompanhamos o crescimento dos dois filhos, com a sua mãe abandonada, perdida e que nada faz senão resignar-se. Fiquei tão, mas tão triste, pelo destino de Joaninha, uma menina que poderia não  ter conhecido um lado tão negro da vida, e que por causa da sua mãe, das suas cruéis palavras, “se perdeu” nos caminhos da prostituição, sendo tão inteligente pensei que conseguisse triunfar e melhorar a sua vida. Mas não vive presa à sua mãe alcoólica e a seu irmão Manuel, que é doce, inocente e sofre de um atraso de desenvolvimento mas adora a sua irmã.

Com esta leitura senti pena, do que Joana poderia ter sido, do que Manuel sentiu ao ser tirado à mãe, é uma história que contada sem grandes floreados, nos deixa acima de tudo tristes e revoltados, com a vida, com o destino e com aquele pai que partiu é mais não quis saber dos filhos!

Este é um daqueles livros que nos enganam, capa linda, título bonito é uma história que nos parte o coração e a que não podemos ficar indiferentes!


30/05/2021

Leituras 2021: O mapa do coração, Susan Wiggs


Gosto muito dos livros desta autora, costumam ser romances bem escritos, com personagens sólidas e histórias bem contadas! Está é um excelente exemplo, a história é passada entre o presente e o passado. Marcada por acontecimentos traumáticos que condicionam a vida presente das personagens. Camille, a sua filha e o seu pai vão num verão ser confrontados com o seu passado e as suas batalhas para conseguirem voltar a viver.

Mas contextualizando, Camille conhece um professor que necessita de revelar um rolo fotográfico que lhe daria a possibilidade de conhecer o paradeiro dos restos mortais do seu pai. Aqui temos o mote para o romance. Camille é convidada pelo pai, após este ter recebido um baú da sua casa em França, onde reside uma família que trata da propriedade. E neste baú uma foto misteriosa, que os vai levar à França e à ocupação nazi aquando da Segunda Guerra mundial. Aqui, o mistério, que vai permitir a Camille conhecer melhor o professor que se junta à descoberta do passado e tentar descobrir a história de Lisette, a avó de Camille.

Camille lutando com o seu passado, e com a morte do seu marido, muito traumática que alterou completamente a maneira de ser dela, passando de aventureira a uma pessoa cautelosa e fechada. E será esse verão que a fará enfrentar esse acontecimento e voltar ao seu eu anterior!

Cada personagem do livro luta de certa forma com os seus fantasmas, achei ligeira a forma como a história da filha de Julie foi abordada, ela lidou com os seus problemas comendo, e por estar fora da norma de beleza era ostracizada e mal tratada pelos colegas, assim como o único amigo, o refugiado, que por o ser era também posto de parte. Algumas das cenas parecem mesmo bullying e a maneira suave como os conflitos foram feridos não me agradaram. Assim como a solução mágica, de que um verão tornará Julie magra, autoconfiante e a rapariga cool por ser a americana e a novidade do pequeno vilarejo francês. Mas no final a fórmula resultou, pois a miúda não se tornou uma snob e conseguiu ser superior e lidar com as bullies...

Mas será a história do pai de Camille que nos vai surpreender, desde a sua concepção, pois afinal não era filho do detestável “maire” francês, traidor da pátria, um vendido aos nazis, mas sim fruto de uma paixão secreta da sua mãe com um pára-quedista americano que ela salvou e escondeu!! Mas a reviravolta maior nem foi esta, foi descobrir que o senhor afinal vivia no armário, e o regresso a França fê-lo reconhecer que o seu amor de infância seria quem o faria feliz! 

Confesso que teria preferido que a autora me tivesse contado em mais detalhe a história de Lisette, falado mais sobre a sua desfaçatez e claro como viveu após a partida do seu grande amor e o porquê de não poderem ter sido felizes juntos, percebi a justificação no livro, mas teria ficado mais feliz com um final mais prazeroso, mas teríamos ficado sem justificação para o regresso do país de Camille a França...

É um livro bom para uma tarde de Verão pois descreve a vida idílica que temos em férias, num lugar remoto mágico de França, em que o tempo é mais vagaroso, as pessoas mais felizes e até o sol é capaz de ajudar a resolver problemas!

Uma boa leitura para quem gosta de romance com algum mistério!!


23/05/2021

Leituras 2021: A rainha das trevas, Anne Bishop


Este volume fecha, a trilogia das jóias negras. Uma história recheadas de perfídia, de crueldade e de atos condenáveis aos olhos de pessoas normais. Mas é um muno tão peculiar que se torna difícil pô-lo de parte. Aqui Janelle já atingiu-se idade adulta e tem uma corte formada pelos seus mitos mais chegadas e protegida por aqueles que a querem ver como a rainha suprema que ela será.

No entanto, uma sombra projecta-se neste mundo ideal, a da guerra entre Terreile e Kaeleer, instigados pelas pérfidas Hekatah e Dorothea, que almejam acima de tudo o poder e nada mais, custe o que custar, acreditando ainda ser possível controlar Janelle e o seu poder. 

Outra sombra é a que paira entre o casal, que estamos ansiosos por ver juntos, mas que tardam em ficar juntos, mesmo com Daemon já tendo conseguir sair do Reino Distorcido. Mas ele não sabe que Janelle é a poderosa rainha de Ebon Askavi, que é protegida pelo seu pai e irmão, e que por um acaso fortuito do destino, Lucivar o encontra e o conduz até ela. Daemon demora a compreender o funcionamento da nova corte, o respeito que impera nas pessoas pela sua rainha e entre si próprios, sem abusos, más palavras ou desrespeito pelos sentimentos de cada um. Uma ordem a que ele tende a não compreender.

Já Janelle prepara-se com ajuda da sua corte, para evitar o conflito que destrua todos os Sangue, todos os feiticeiros e o mundo como é conhecido por todos. Mas Janelle triunfa, tornando-se a feiticeira suprema que estava destinada a ser! 

Por muito que o livro tenha sido bom, esperava mais, mais foco na história de Daemon e Janelle, um final feliz e descansado para Saetan que se viu durante três livros a cargo com filhos, histórias, conspiração, mortes, sofrimento. Mas ainda assim foi um excelente desfecho para uma história esplêndidamente escrita!


22/05/2021

Leituras 2021: Herdeira das sombras, Anne Bishop


Este é o segundo volume da trilogia das Jóias Negras, e confesso que foi este que me prendeu! Acompanhamos Jaenelle após os acontecimentos em Briarwood, como se perdeu no Reino Distorcido, e do seu aguardado regresso!

Neste volume assistimos aos jogos de poder, Hekatah que se vai tornando mais poderosa e tenta estender a sua influência ainda mais longe e Dorothea que tenta capturar Daemon por entender a importância deste na vida da criança-feiticeira, e está, continua alheada ao que se passa à sua volta tentando reconstruir-se, melhor dizendo ao seu cálice estilhaçado, para poder voltar ao mundo real.

No entanto Jaenelle é forte, acorda e rodeada dos seus amigos e os protetores Lucivar e seu pai adoptivo Saetan, pensa em constituir a sua corte.  A narrativa vai acompanhar o dia a dia de Jaenelle, mas ensombrada pela falta de Daemon, afinal era esperado que ele estivesse ao lado de Jaenelle, pois seria o seu consorte, mas ele não sendo tão forte como Jaenelle, ainda vagueia no mundo das sombras.

O que se nota neste volume é sobretudo o aumento da tensão, alianças que se formam, reinos que se aproximam e unem, rainhas cada vez mais fortes, Jaenelle cada vez mais poderosa e um conflito eminente para decidir quem governará sobre todos os reinos. E o livro acaba assim com esta sensação de conflito eminente, e deixa-nos ansiosos pelo próximo volume!




02/05/2021

Leituras 2021: Filha do Sangue, Anne Bishop

Este foi um dos livros que decidi ler pela capa, eu sabia que esta trilogia era bastante reputada e foi-me recomendada por várias pessoas. Mas confesso que custou a entrar na história. Porquê? Porque é um mundo intrincado, cheio de minuciosos detalhes e de uma riqueza extrema. E fazer parte deste(s)mundo(s) leva sempre algum tempo!

Isto porque a história se subdivide em reinos diferentes, onde convivem humanos, desprovidos de magia e os de Sangue, estes são criaturas com poderes mágicos. As sociedades são matriarcais, lideradas por belas e algumas pérfidas mulheres, existem Feiticeiras, Viúvas-Negras e Rainhas, sendo estas as mais importantes, e onde os homens têm um papel acessório de escravos ou servos. Existe também o reino dos mortos. Os seres mágicos têm os seus poderes ligados a jóias e são capazes de também de comunicarem a um nível psíquico.

Os poderes são determinados por jóias, herdadas ou ganhas mediante uma cerimónia. Cada indivíduo tem uma jóia por direito de progenitura, e podem ainda ganhar mais uma jóia, mediante a sua força.  Então a força de alguém é medida pelas jóias que possui e vê-se quão poderoso alguém é, pela intensidade da coloração da sua jóia, sendo que, as jóias negras são as que têm mais poder. Em suma é isto!

A história essa é outra, existe uma profecia de que uma feiticeira poderosa aparecerá para governar e unir todos os reinos! Saetan, e os seus dois filhos bastardos, Lucivar e Daemon, serão os mais afectados e envolvidos nesta história. Pois um será o pai, o outro o protector e o último o companheiro da nova feiticeira! Mas muita história tem ainda que ser contada até aí chegarmos! 

Quem é esta feiticeira? Janelle, uma menina de 7 anos, cuja família, não valoriza e coloca numa instituição onde ela é outras são barbaramente maltratadas. Janelle evade-se dessa instituição algumas vezes, fomentando amizades com pessoas de todos os reinos! É uma menina misteriosa, mas que é capaz de suscitar o melhor de cada um, até em Saetan, o senhor supremo do Inferno, e seu protector até ao fim dos tempos!

O livro é polémico, porque aborda alguns temas complicados e moralmente condenáveis, desde escravatura, violência sexual, através de sadismo, relações sexuais forçadas, violação, pedofilia. Há de tudo e as descrições são fortes e pungentes sem floreados. Daemon e Lucivar, dois príncipes de jóias quase negras, são forçados à escravatura sexual, por rainhas que os controlavam através de uma anel mágico preso ao seu sexo. Só aqui podem imaginar o que esperar. E quando chega as descrições do que se passava no local onde Janelle estava “para ser tratada” aí pensei em abandonar a leitura.

Mas queria saber como iria ser a história dessa menina, tão nova e tão poderosa, que conseguia fazer com que até o senhor do Inferno se tornasse dócil e capaz de um tão grande amor paternal por ela. Ela inspira também em Daemon um outro tipo de amor, que não é tão inocente, e aqui fiquei chateada, porque disse para mim que raio de história sai daqui com um homem de 1700 anos fique interessado numa menina tão nova??! Mas claro a história terá continuação e o tempo irá passar até que seja possível uma história de amor “ dentro dos padrões do aceitável”.

Neste livro a história conta-nos a realidade de dois reinos diferentes, Terreille e Kaeleer, em cada reino existem várias cidades lideradas por rainhas, mas a particularidade aqui é que a autoridade destas rainhas vem sendo minada e Dorothea SaDiablo, uma Feiticeira Suprema, quer governar todos os territórios e consequentemente todos os reinos, e o seu reinado será ameaçado pela história da chegada da poderosa feiticeira... e aqui está o mote para o desenvolvimento da história! Dorothea é cruel, escraviza homens poderosos, como Daemon, e torna-os objectos sexuais. Ela é também mestre em intrigas, e foi através destas que levou a que Saetan nunca reconhecesse como legítimos filhos Daemon e Lucivar, para os escravizar. 

Mas pouco sabe ela que Janelle, vai ser o elo que ligará a corrente familiar dos três homens mais poderosos que se irão aliar para proteger Janelle de uma família que não se apercebe do seu poder, de uma feiticeira ambiciosa e prepararem o mundo para o reinado da feiticeira mais poderosa que alguma vez existiu! Esta será uma história de magia, um mundo sombrio, de intrigas e de lutas pelo poder em que a luz da feiticeira será o início da mudança!

01/05/2021

Leituras 2021: Um amor Perdido, Alyson Richman

 

Esta foi uma das melhores leituras do meu ano, tão bom que o li em duas tardes, a história tem a premissa de tantas outras histórias. A guerra, o Holocausto, famílias que se separam e perdem, pessoas feridas e com a alma vincada pelo terror até ao final dos seus dias. A diferença? É que esta tem um final feliz ainda que tardio.

O livro dá-nos a conhecer a história de Josef e de Lenka, de como se apaixonam, casam e se perdem um do outro. O livro vai alternando a história de vida de um e do outro até que surpreendentemente se encontram, 60 anos depois, por ocasião de um casamento. A primeira parte do relato acontece em Praga, na Checoslováquia, a vida despreocupada, os interesses comuns, a sua vida académica e familiar. Como se conhecem, apaixonam e assistem preocupados aos acontecimentos que tragicamente vão mudar as suas vidas. Aqui o relato é feito mais por Lenka, que como artista que é, nos retrata vivamente as suas experiências e sentimentos, como a sua vida era plena e promissora antes da chegada dos alemães. Sentimos a angústia, o crescer do preconceito, o crescer do ódio, a escassez, a fome, o despojo dos bens, da liberdade e inacabado da vida como sempre conheceram.

Na segunda parte Josef conta-nos, desde a actualidade, o seu passado e como sobreviveu à guerra, como sobreviveu na América, como estudou, se tornou médico e viveu uma vida que não pareceu completa, desprovida de alegria. Já Lenka conta como permaneceu com a sua família desde a ocupação de Praga até à vida miserável em Terezín, o horror de nada ter, da incerteza, de viver uma vida que poderia ser roubada a cada dia que passava. 

E cada um deles julgava o outro morto. E é aqui que o nosso fôlego é roubado, porque vivemos através das suas memórias, as atrocidades que Lenka e todos os judeus passaram, a dor da ausência que Josef viveu, e pela linda história que ficou por viver. Este livro é rico, é minucioso nos detalhes, apresenta uma história que de nada tem de leve, pelo contrário,  e por isso se entranha em nós e que o vivenciamos de perto e o sentimos tanto!